18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 17/04/2025

Mulheres com síndrome metabólica e câncer de mama devem redobrar a atenção

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Foto: Reprodução/Google

Pacientes com câncer de mama que se encaixam na classificação de síndrome metabólica têm desfechos mais desfavoráveis no combate à doença, com probabilidade elevada de recorrência do tumor ou de óbito, diz estudo

Caracterizada pelo conjunto de condições como excesso de gordura abdominal, taxas elevadas de colesterol e hipertensão, a síndrome metabólica é um conhecido fator de risco de diabetes 2 e doenças cardiovasculares. Um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade, em Málaga, na Espanha, mostra que o problema também está significativamente associado à recorrência e à mortalidade por câncer de mama.

 

A pesquisa, publicada no The Journal of Internal Medicine, revela que, entre sobreviventes desse tipo de tumor, o risco de retorno da doença é 69% maior quando a paciente tem síndrome metabólica. A chance de morrer caso o câncer de mama retorne foi de 83% na população estudada. Os dados foram obtidos de estudos observacionais e ensaios clínicos que envolveram 42.135 pessoas.

 

A Associação Norte-Americana do Coração cujas definições e recomendações são adotadas por sociedades médicas em todo o mundo, caracteriza a síndrome metabólica como a presença de pelo menos três condições. São elas: pressão arterial elevada, triglicérides (gorduras no sangue) altos, lipoproteína de alta densidade (HDL) ou colesterol "bom" baixo, glicemia de jejum elevada (açúcar no sangue) e obesidade central ou abdominal (circunferência da cintura superior a 88cm para mulheres e 100cm para homens).

 

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Critérios

 

 

No estudo, liderado por Sixten Harborg, do Departamento de Oncologia da Universidade de Aarhus/Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, os pesquisadores utilizaram dados de artigos médicos que foram, então, modelados para avaliar a relação entre um perfil metabólico desfavorável e a sobrevida ao câncer de mama. As estimativas combinadas mostraram que sobreviventes desse tipo de tumor que, no momento do diagnóstico, também se encaixavam nos critérios da síndrome, tinham 57% mais risco de algum evento relacionado à doença, sendo 69% no caso de recorrência, e 83% na mortalidade durante o acompanhamento.

 

"A célula tumoral precisa de muita energia. A principal característica da síndrome metabólica é o excesso de glicose circulante no corpo. Esse excesso de glicose é muito bem aproveitado pelo tumor a seu favor como substrato energético para crescer e multiplicar-se", explica o oncologista João Nunes, especialista em câncer de mama. De acordo com o médico, grandes serviços de oncologia já têm programas com foco em hábitos de vida e alimentação, com foco nessa característica. "A abordagem multiprofissional e multidisciplinar é fundamental para ajudar nesse cenário", destaca.

 

Os autores do estudo analisaram possíveis diferenças na associação de acordo com a localização geográfica do continente de origem dos estudos incluídos. Eles descobriram que a relação entre desfechos mais desfavoráveis entre sobreviventes de câncer de mama com síndrome metabólica foi consistente em toda a Europa, América do Norte e Ásia.

 

Brasileiros

 

 

Para o oncologista Gilberto Amorim, da Oncologia D'Or, embora o estudo não tenha dados brasileiros, os resultados podem ser extrapolados para o país. "Não há uma plausibilidade biológica para achar que a síndrome metabólica nas mulheres e homens portadores de câncer de mama no Brasil tem um comportamento distinto", diz. "A população brasileira está cada vez mais comendo errado, cada vez mais pacientes convivendo com sobrepeso e obesidade, e esses riscos são os mesmos. Ainda que não tenha tido estudos brasileiros, os dados servem para o alerta da população global como um todo", acredita.

 

Em nota, os autores enfatizam a importância do rastreamento metabólico para os sobreviventes de câncer de mama. "Pesquisas futuras devem se concentrar em avaliar como o controle da gordura no sangue, a reversão do diabetes e a adoção de estilos de vida saudáveis podem diminuir a prevalência da síndrome metabólica nessa população e, em última análise, aumentar a sobrevida dos pacientes de câncer de mama."

 

Embora o estudo não tenha focado nas causas da associação entre câncer de mama e desfechos mais desfavoráveis para pacientes com síndrome metabólica, os autores do artigo afirmam que o excesso de gordura pode resultar em níveis aumentados de estrogênio circulante que, por sua vez, tem potencial para estimular o crescimento das células cancerígenas da mama. "Além disso, a adiposidade pode induzir alterações no microambiente tumoral que facilitam a metástase, ou a disseminação do câncer", escreveram.

 

Formato maçã

 

Fotos: Reprodução/Google

 

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A síndrome metabólica é um grupo de condições que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e de diabetes tipo 2. Entre as principais, estão pressão alta, níveis elevados de açúcar no sangue, excesso de gordura na cintura e taxas altas de colesterol ou triglicerídeos. Quem tem três ou mais dessas condições tem síndrome metabólica, embora apenas uma ou duas delas já aumentem o risco de doenças graves. Pessoas com síndrome metabólica geralmente têm corpos em formato de maçã, o que significa que têm cinturas maiores e carregam muito peso em torno do abdômen.

 

Fonte: com informações do Portal Correio Braziliense 

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