Esse recurso já foi testado em 40 países desde sua estreia na Arábia Saudita em 2019, com mais de 100 milhões de corridas concluídas.
Nos Estados Unidos, a Uber acaba de lançar uma funcionalidade inédita chamada Women Preferences, disponível inicialmente em Los Angeles, San Francisco e Detroit. A novidade permite que passageiras solicitem motoristas mulheres — inclusive com opção de agendamento antecipado — e que motoristas mulheres escolham atender exclusivamente passageiras do sexo feminino. Esse recurso já foi testado em 40 países desde sua estreia na Arábia Saudita em 2019, com mais de 100 milhões de corridas concluídas.
Embora melhore a sensação de segurança, especialistas alertam que, como apenas uma em cada cinco motoristas da Uber é mulher, pode haver aumento no tempo de espera. Além disso, organizações como Survivors Rights apontam que a medida não resolve problemas subjacentes, como falhas nos processos de verificação de antecedentes e suporte a vítimas.
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1. Pesquisa nacional (Instituto Patrícia Galvão / Locomotiva, 2019)
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• 97% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter sido vítimas de assédio em meios de transporte, incluindo transporte público e por aplicativos.
• 46% não se sentem confiantes em usar qualquer meio de transporte sem sofrer assédio.
• O app de transporte foi visto como o meio mais seguro: 75% se sentem seguras nele, versus 68% nos táxis e apenas 26% no transporte público.
2. Distrito Federal (dados mais recentes)
• Pesquisa com 350 mulheres que usam apps de transporte no DF revelou que 74% já sofreram algum tipo de violência — incluindo assédio sexual, agressões físicas, olhares insistentes e discriminação.
• Em 2023, dos 889 casos de importunação sexual registrados no DF, 23% ocorreram dentro de veículos de aplicativos.
3. Estudo em São Paulo
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• Uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo apontou que 12% das mulheres já sofreram assédio durante viagens por aplicativo.
A Promotoria do Consumidor de SP instaurou um inquérito para investigar frequentes casos de assédio sexual, estupro e outras condutas ilícitas praticadas por motoristas de apps, incluindo desenhos recorrentes desde 2020.
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Fotos: Reprodução/Google
Alguns relatos pessoais ajudam a ilustrar a gravidade do problema: “Uma conhecida minha foi assediada no Uber, o Uber ofereceu psicólogo pra ela” — comentário em fórum público A nova iniciativa da Uber nos EUA tem o objetivo de oferecer um ambiente mais seguro para mulheres em viagens por aplicativo. No entanto, sua eficácia depende de fatores como adesão das usuárias, equilíbrio na base de motoristas e apoio a políticas públicas.
Já o Brasil enfrenta uma escalada preocupante da violência contra mulheres — em múltiplas formas e contextos — que, apesar de avanços legislativos como a Lei Maria da Penha, ainda encontra barreiras fortes na prevenção, apoio às vítimas e punição adequada dos agressores. O cenário demanda ações integradas: fortalecimento de redes de acolhimento, ampliação da presença de unidades de atendimento no interior, investimento em educação e cultura de respeito e igualdade, além de políticas públicas robustas e contínuas.
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