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Mulher na Política - 26/11/2022

Tribunal aceita denúncia de violência política de gênero contra vice da Assembleia de São Paulo

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Foto: Reprodução

Wellington Moura (Republicanos) sugeriu colocar 'cabresto' na boca da deputada Mônica Seixas (PSOL) durante sessão

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo aceitou na ultima quarta-feira (23) uma denúncia de violência política de gênero contra o deputado Wellington Moura (Republicanos) por ele ter dito em plenário que iria "colocar um cabresto" na boca da deputada estadual Mônica Seixas (PSOL).

 

O episódio ocorreu em maio, depois de Moura dizer que a parlamentar importunava o plenário. O deputado, que é vice-presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), afirmou na ocasião que "sempre colocaria um cabresto" na boca da parlamentar quando ele estivesse presidindo a sessão.

 

Por causa do episódio, o Ministério Público Eleitoral ofereceu denúncia ao tribunal.

 

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A reportagem tentou contato com o deputado, mas ainda não obteve uma resposta. Em fala na semana seguinte ao caso, ele usou microfone do plenário da Casa para pedir desculpas à deputada e para "todas as pessoas que se sentiram ofendidas por qualquer excesso que cometi ao utilizar a expressão cabresto".

 

Segundo o Ministério Público, Moura, "fazendo uso do microfone, assediou, constrangeu, humilhou, por palavras, a detentora de mandato eletivo e também deputada estadual Mônica Cristina Seixas Bonfim, em razão de menosprezo e discriminação à sua condição de mulher e com a finalidade de impedir e dificultar o desempenho de seu mandato".

 

Paula Bajer, procuradora regional eleitoral, afirmou que o fato gerou constrangimento e impediu a atuação política da deputada. Portanto este é um crime de ação pública que o Ministério Público tem o dever de agir, segundo ela. "Isso é inconcebível em um Estado democrático de Direito."

 

Aprovada no ano passado, a lei 14.192 sobre violência política contra mulher estabelece que é crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar uma candidata ou mulheres que já ocupam cargos eletivos, com menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou ainda à sua cor, raça ou etnia.

 

Veja alguns casos de violência política contra mulheres no Brasil -  15/02/2022 - Politica - Fotografia - Folha de S.Paulo

 

A punição é de até quatro anos de prisão e multa. Se a violência ocorrer pela internet e em redes sociais, a pena pode chegar a seis anos.

 

O movimento para endurecer as regras contra agressores foi capitaneado pela bancada feminina no Congresso, que viu escalar os episódios de ataques na política nos últimos anos e pressionou pela aprovação da lei.

 

Além do crime de violência política contra a mulher, que consta no Código Eleitoral, há o crime de violência política, que consta nos crimes contra o Estado democrático de Direito. A pena é de três a seis anos de prisão e multa.

 

Esse crime consiste em restringir, impedir ou dificultar "o exercício de direitos políticos a qualquer pessoa em razão de seu sexo, raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional", com emprego de violência física, sexual ou psicológica.

 

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Em maio deste ano, Mônica Seixas protocolou uma outra representação contra Moura na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia, alegando que ele agiu com "racismo e machismo" e, com isso, quebrou o decoro parlamentar.

 

Na representação, a deputada afirmou que "houve ofensa à dignidade e decoro em sua forma mais vil e cruel que é utilizando uma ferramenta que pessoas negras escravizadas eram submetidas para que se calassem e servissem ao escravocrata".

 

Segundo a peça, o deputado Wellington Moura "animaliza" Mônica "assim como os escravocratas num período já condenado da história do Brasil".

 

Em agosto deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro decidiu abrir a primeira ação penal no país pelo crime de violência política de gênero.

 

Violência política de gênero é ameaça à democracia | Heinrich Böll Stiftung  - Rio de Janeiro Office

Fotos: Reprodução

 

O réu é o deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB-RJ), acusado pela Procuradoria Eleitoral de proferir um discurso que assediou, constrangeu e humilhou Benny Briolly (PSOL-RJ), vereadora em Niterói, por sua condição de mulher trans.

 

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Em discurso na Assembleia Legislativa, Amorim chamou Briolly de "aberração da natureza" e "boizebu", entre outras ofensas.

 

Na acusação, a Procuradoria Eleitoral afirmou que Amorim teve "o claro propósito de dificultar o desempenho do mandato eletivo da parlamentar", condição para denúncia do tipo.

 

Fonte: Com informações da Folha de S. Paulo

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