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No mais recente episódio do Ela Podcast, recebemos Tanara Lauschner, futura reitora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que compartilhou sua trajetória acadêmica e visão para a instituição. Professora da UFAM desde 2002 e Doutora em Informática pela PUC-Rio, Tanara tem ampla atuação em ciência, tecnologia e gestão.
Durante a entrevista, falou sobre o slogan de sua campanha — “Mudança” — e destacou que sua candidatura surgiu do entendimento coletivo de que a universidade pode e deve fazer muito mais. “Nós nos posicionamos como uma candidatura de oposição, mas oposição a uma forma de governo, a ideias. Fizemos uma campanha ética, pautada em propostas e no diálogo, e a universidade compreendeu essa mensagem”, afirmou.
Durante a conversa, abordamos também a presença feminina no universo tecnológico, historicamente marcado pela predominância masculina. Questionada sobre seu envolvimento em projetos como Cunhantã Digital e Meninas Digitais, voltados à inclusão de meninas do ensino fundamental e médio nesse campo, Tanara Lauschner destacou a importância de enxergar as mulheres como protagonistas, e não apenas usuárias, da tecnologia.
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“Queremos que as mulheres estejam na tecnologia desenvolvendo soluções. Quando essas soluções são pensadas por pessoas com vivências diversas — de gênero, de raça, de contexto social — elas se tornam mais completas”, afirmou. Para ela, garantir a presença de meninas e mulheres nesse setor é também um passo essencial para produzir inovação de qualidade e não desperdiçar talentos fundamentais.
Tanara também fez questão de destacar a relevância do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast como espaços de visibilidade, representatividade e fortalecimento de trajetórias femininas. “Esse espaço aqui, que é o Portal Mulher Amazônica, é muito importante. Que as meninas olhem e digam: ‘nossa, tem uma mulher lá. Estou sendo representada de alguma maneira. Eu posso chegar lá também’”, afirmou. Ela ressaltou que será apenas a segunda mulher a ocupar o cargo de reitora na UFAM e observou a ausência histórica de mulheres em cargos de liderança, como na prefeitura de Manaus ou na direção da Faculdade de Direito da UFAM, cujos quadros de ex-diretores são compostos apenas por homens.
Tanara concluiu refletindo sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em sua trajetória e a importância de criar redes de apoio. “São histórias de sucesso, mas que não chegaram de graça. Não foi fácil. Eu costumo dizer que falhar faz parte. Não queira sempre acertar, porque você não vai conseguir. Nós somos ensinadas que, se falhamos, somos incompetentes. Mas precisamos aprender a nos levantar, a construir com esse processo. E conversar com outras mulheres é fundamental. O mundo ainda é muito machista, e por isso, esses espaços de escuta, acolhimento e inspiração são tão valiosos.”
Ao final da entrevista, perguntamos a Tanara Lauschner sobre os primeiros passos da sua gestão à frente da reitoria da Universidade Federal do Amazonas. Ela destacou que, neste momento, está sendo conduzido um processo de transição. “Já foi definido o nosso grupo de trabalho de transição, tanto da nova gestão quanto da gestão que ainda está. O professor Sylvio Puga tem aberto as portas da reitoria para esse processo, o que é muito importante para a democracia”, afirmou.
Entre as prioridades para os primeiros 100 dias, Tanara enfatizou a necessidade de enfrentar os desafios estruturais da universidade. “Queremos priorizar as questões de infraestrutura, porque são demandas que atingem toda a UFAM. Falamos de manutenção predial, energia, água, segurança, transporte coletivo, conservação, limpeza — e também da conectividade, da internet”, explicou.
Ela reconheceu que os problemas têm diferentes graus de complexidade e exigem recursos variados, por isso, será fundamental a elaboração de um plano de ação escalonado: “O que conseguimos resolver de imediato? O que dependerá de articulação com parceiros e captação de recursos? E o que precisa ser deixado como proposta para uma gestão futura?”, completou.
Essas prioridades demonstram o compromisso da futura reitora com uma gestão estratégica, colaborativa e sensível às demandas reais da comunidade acadêmica. Tanara também abordou um dos maiores desafios da UFAM: a realidade multicampi da instituição. Com sede em Manaus e cinco campi distribuídos pelo interior do estado, ela destacou que é urgente superar a visão centralizadora que ainda predomina nas decisões institucionais. “Quando a gente define, por exemplo, uma política de pesquisa para a UFAM, não é só para Manaus. É Manaus e os cinco campi. Quando se pensa em assistência estudantil ou recursos para extensão, é para todos. Esse olhar não pode ser apenas de igualdade — ele precisa ser de equidade”, pontuou.
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Para a futura reitora, reconhecer e respeitar as especificidades de cada unidade é fundamental para garantir justiça no acesso a oportunidades e investimentos. “No discurso, muitos dizem que somos uma só UFAM, mas, na prática, isso ainda não acontece. Quando se distribui carga de professores ou recursos, a capital ainda pesa mais. Nosso desafio é justamente equilibrar essa balança com recursos limitados, atendendo interior e capital com responsabilidade e visão estratégica”, completou.
Encerrando a entrevista, perguntamos a Tanara Lauschner como ela deseja enxergar a Universidade Federal do Amazonas ao final de sua gestão. Com firmeza e esperança, ela respondeu: “Quero uma UFAM mais moderna, inclusiva, que tenha uma política eficaz de combate ao assédio, que avance na implementação de projetos de pesquisa, extensão, e na melhoria contínua da graduação e da pós-graduação, sempre com foco no impacto social.”

Fotos: Divulgação/Portal Mulher Amazônica
Tanara destacou ainda a importância de fortalecer a ideia de uma universidade socialmente referenciada, comprometida com as necessidades reais da sociedade amazônica. “Estamos numa região que carece de soluções específicas, e a universidade tem um papel estratégico nisso. Mas não basta produzir conhecimento: é preciso que esse conhecimento alcance as pessoas, que as inovações saiam dos laboratórios e cheguem às prateleiras. E para isso, a universidade precisa articular-se com outros setores, públicos e privados.” Com essa visão de futuro, Tanara reafirma seu compromisso com uma gestão democrática, inovadora e voltada para o desenvolvimento da Amazônia e para o fortalecimento de uma universidade que abrace sua missão pública.
O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast agradecem profundamente a presença da futura reitora Tanara Lauschner. Mulher, cientista, gestora e pesquisadora, sua trajetória inspira outras mulheres e reafirma o valor da representatividade nos espaços de poder e decisão. Que sua missão de produzir e compartilhar conhecimento continue iluminando caminhos e que sua liderança conduza docentes, discentes e técnicos à reconstrução de uma UFAM que acolhe, escuta e abraça o seu povo — com equidade, ciência e compromisso social.
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