Embora muitas vezes inocente e carinhoso, esse movimento se tornou foco de campanhas governamentais por potencializar riscos reais à segurança e à privacidade infantil.
A prática de expor rotineiramente a vida dos filhos nas redes sociais ganhou um nome e agora recebe um alerta internacional: sharenting. O termo, junção de share (compartilhar) e parenting (criação de filhos), descreve o hábito de publicar fotos, vídeos e detalhes da vida das crianças online. Embora muitas vezes inocente e carinhoso, esse movimento se tornou foco de campanhas governamentais por potencializar riscos reais à segurança e à privacidade infantil.
A Irlanda apresentou recentemente a campanha Pause Before You Post — um convite para que pais respirem fundo antes de compartilhar imagens dos filhos. O alerta veio acompanhado de números contundentes: estima-se que famílias publiquem, em média, 63 fotos de crianças por mês. Segundo a iniciativa, apenas 20 imagens já seriam suficientes para alimentar tecnologias de deepfake e outras manipulações digitais capazes de gerar conteúdos verossímeis, sem consentimento e fora de controle.
Outro ponto preocupante apontado pela ação é o uso indevido desse material. Metade das imagens de crianças encontradas em fóruns criminosos, segundo a campanha, teriam sido originalmente publicadas por familiares. Nomes, aniversários, uniforme da escola, placas de carro, rotinas e locais frequentados fornecem peças de um quebra-cabeça que desconhecidos conseguem montar com facilidade — e rapidez. Detalhes que parecem simples podem entregar o percurso escolar, os horários em que a criança está sozinha e até o padrão financeiro da família.
Veja também

'Parassocial': a palavra que define 2025 segundo o Cambridge Dictionary
Como evitar compras por impulso na Black Friday?
Mais do que restringir compartilhamentos, a discussão levanta uma reflexão maior: quem controla a identidade digital dessas crianças? Ao crescerem, terão autonomia para decidir que imagens desejam manter públicas? A questão ética se amplia quando se percebe que, com poucos cliques, memórias que deveriam pertencer à infância tornam-se conteúdo permanente em plataformas cuja memória é infinita. A internet não esquece.
Como evitar ?

Avaliar se a publicação traz informações pessoais (escola, endereço, rotina)
Preferir imagens que não revelam o rosto por completo
Utilizar contas privativas quando o objetivo for compartilhar com familiares próximos
Evitar divulgar documentos, datas de aniversário e localização
Perguntar a crianças maiores se desejam aparecer — consentimento também se educa
Lembrar: tudo o que vai para a rede torna-se impossível de controlar totalmente

Fotos: Reprodução/Google
Em um mundo cada vez mais digital, cuidar da exposição infantil passa a ser um ato de proteção tão importante quanto segurar a mão para atravessar a rua. O sharenting não é apenas postagem: é memória, identidade e segurança. Se o futuro pertence às novas gerações, garantir que ele seja seguro — inclusive na esfera virtual — é responsabilidade de quem as ama.
Fontes
Pause Before You Post – Data Protection Commission (Irlanda). Página dedicada ao tema e aos riscos do sharenting.
B9 – “Irlanda lança campanha contra o ‘sharenting’ e alerta: postar sobre seus filhos pode expô-los a riscos reais.”
UniCesumar – Estudo publicado em 2025 na revista Bioética sobre sharenting e saúde mental/privacidade de crianças.
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.