30 de Abril de 2026

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Elas nos inspiram - 28/08/2023

Selma Baçal, nossa luta e os sonhos que ainda vivem

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Foto: Reprodução

Prof. Dra. Selma Suely Baçal de Oliveira era pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFAM

Por Lúcio Carril - 28 de agosto de 1981.

 

Vivíamos sob a ditadura militar. No governo do Amazonas, José Lindoso.

 

Eu tinha 15 anos e desde 1980 já vinha participando da luta política de resistência democrática.

 

No início da campanha da meia-passagem, reconstruímos a União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas - UESA. Eu e Selma fizemos parte da comissão de pesquisa histórica da entidade. Nos enfurnamos por meses na biblioteca pública do estado, metidos no meio de jornais antigos.

 

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Em 1981, a meia-passagem era por empresa de ônibus. O estudante comprava os passes estudantis para ser usado em determinada empresa e não podia passar em outra.

 

Resolvemos iniciar a campanha do passe-único.

 

No dia 28 de agosto de 1981, marcamos um ato público na praça São Sebastião. Éramos, secundaristas e universitários, cerca de 100 estudantes.

 

As polícias militar e civil cercaram a praça, prenderam o carro-som.

 

Fomos para frente da Igreja de São Sebastião.

 

Nota de pesar - professor da Faced, Luís Sandro Baçal de Oliveira

Luís Sandro Baçal de Oliveira

 

Sandro Baçal (professor da UFAM, falecido), irmão da Selma, sobe nas escadas da igreja e começa a discursar, com o público repetindo.

 

Não chegou a cinco minutos de discurso. A polícia partiu pra cima, batendo, invadiu a igreja, com cassetetes e armas, tiros foram disparados dentro do templo.

 

 Nota de pesar: pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação, profa. Dra Selma  Suely Baçal de Oliveira

 

Ao sair correndo da igreja, levantei os braços. Era um garoto magro e alto. A polícia não quis saber: começaram a me espancar com cassetetes. Corri. Já quase livre, correndo na rua 10 de julho, ao lado do Teatro Amazonas, ouvi o comando: atira nele. Parei e policiais me jogaram num camburão.

 

Comigo, Antonio Pelizzetti (hoje, bioquímico. Mora em Boa Vista - RR), Marivon Barbosa e Mara, Ociney (já falecido), o jornalista Montezuma, uma criança de aproximadamente 11 anos e o Sávio, um guerreiro e meu amigo inseparável. Estava muito machucado do espancamento dentro da igreja (Sávio já se foi, também).

 

 Pode ser uma imagem de 1 pessoa e texto que diz "Celebração da linda vida de Selma Suely Bacal de Oliveira *29/03/1964- 26/08/2023 Funerária Canaã- Salão 01 Rua Major Gabriel, 1833. Centro Início: 27/08 às 6h Término: 27/08 às 16h Cemitério São João Batista"

 

Num momento que abriram o camburão, o Senador Evandro Carreira (já falecido) gritava para não baterem "nas crianças". Puxou o Pelizzetti do camburão. Jogaram o Senador em outra viatura.

 

Chegamos na DOPS. Nos mandaram encostar numa parede. O senador Evandro Carreira chega, nervoso, e partiu para a sala do delegado, comigo, o Vicente Filizzola, hoje presidente da Força Sindical no Amazonas, e outros companheiros presos.

 

 
 
Fotos: Reprodução
 

Evandro colocou o dedo na cara do delegado e disse: seu poltrão, você bate em crianças, mas venha bater num homem e foi tirando o paletó, quando Filizzola Interveio pedindo calma. O delegado Adelson Melo (já falecido) ficou sem um pingo de sangue na cara.

 

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Fomos liberados, depois de fichados na DOPS.

 

A Selma se foi, ontem, mas nossos sonhos continuam vivos e sua luta servirá de exemplo, sempre.

 

Fonte: com informações do Sociólogo Lúcio Carril

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