Deputado federal cassado fugiu para os Estados Unidos após ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado
O deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ) se manifestou nesta sexta-feira, 19, pela primeira vez após ter o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Nas redes sociais, o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) criticou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“O presidente da Câmara dos Deputados cassou meu mandato, na canetada, pela Mesa da Câmara. Cumpriu ordens inconstitucionais como subordinado de um ministro ditador. A Câmara dos Deputados efetivamente acabou, por covardia de quem a preside”, escreveu Ramagem.
Na quinta-feira, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados conseguiu reunir assinaturas suficientes para cassar os mandatos de Ramagem e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No caso de Ramagem, a cassação foi aplicada após o Supremo Tribunal Federal ter definido a perda de mandato no julgamento da tentativa de golpe de estado. Ele foi condenado a 16 anos de prisão e perdeu seus direitos políticos.
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O presidente da Câmara dos Deputados cassou meu mandato, na canetada, pela Mesa da Câmara.
— Alexandre Ramagem (@delegadoramagem) December 19, 2025
Cumpriu ordens inconstitucionais como subordinado de um ministro ditador.
A Câmara dos Deputados efetivamente acabou, por covardia de quem a preside. pic.twitter.com/YpI9lFD1zH
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem está foragido em Miami, nos Estados Unidos. Desde setembro, ele apresentava atestados médicos para justificar sua ausência na Câmara. Após a descoberta da fuga, a Câmara informou que a Casa não foi comunicada sobre o afastamento do parlamentar do território nacional nem autorizou nenhuma missão oficial de Ramagem no exterior.
Motta acabou adotando uma estratégia diferente do que fez em relação ao mandato de Carla Zambelli, também condenada pela Justiça à cassação. Na ocasião, o presidente da Câmara decidiu submeter a decisão ao plenário, que obteve maioria para manter a parlamentar no cargo. O resultado gerou um embate com o Supremo, que voltou a determinar o cumprimento da decisão judicial. A argumentação é que em condenações em última instância é determinação da Casa apenas homologar a sentença.
PL diz que irá recorrer

Foto: Divulgação
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que recebeu uma ligação de Hugo Motta relatando a cassação e que buscará formas de recorrer da decisão.
“Trata-se de uma decisão grave, que lamentamos profundamente e que representa mais um passo no esvaziamento da soberania do Parlamento. Não se trata de um ato administrativo rotineiro. É uma decisão política que retira do plenário o direito de deliberar e transforma a Mesa em instrumento de validação automática de pressões externas. Quando mandatos são cassados sem o voto dos deputados, o Parlamento deixa de ser Poder e passa a ser tutelado”, escreveu na rede social X.
Fonte: Com informações Revista IstoÉ
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