17 de Fevereiro de 2026

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Colunistas - 04/02/2026

Quando a política ignora mulheres no Amazonas, quem paga a conta são elas

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Foto: Reprodução/Google

Quando a política ignora mulheres, quem paga a conta são elas: nas filas da saúde, na falta de creches, no abandono da assistência social e no enfrentamento solitário da violência doméstica.

Por Maria Santana Souza - No Amazonas, a ausência de mulheres nos espaços de decisão não é apenas uma estatística eleitoral — é uma realidade que pesa todos os dias na vida de quem mais depende das políticas públicas para sobreviver. Quando a política ignora mulheres, quem paga a conta são elas: nas filas da saúde, na falta de creches, no abandono da assistência social e no enfrentamento solitário da violência doméstica.

 

A democracia não se mede apenas pelo número de candidaturas registradas, mas por quem realmente chega ao poder e define prioridades. E, no Amazonas, a sub-representação feminina continua produzindo consequências diretas.

 

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A conta chega primeiro na saúde

 

 


Mulheres são maioria entre as usuárias do Sistema Único de Saúde. São elas que acompanham filhos, cuidam de idosos, buscam atendimento durante a gravidez e enfrentam jornadas duplas de cuidado e trabalho. No Amazonas, onde comunidades ribeirinhas e bairros periféricos vivem com acesso limitado a serviços básicos, a falta de políticas voltadas às necessidades específicas das mulheres agrava desigualdades históricas. Quando não há representação feminina suficiente nas decisões públicas, temas como saúde materna, prevenção, atendimento humanizado e estrutura de apoio às famílias acabam ficando em segundo plano. A política que ignora mulheres produz um sistema que ignora também seus corpos, suas rotinas e suas urgências.

 

Creches e infância: um problema político, não doméstico

 


No Amazonas, milhares de mães enfrentam dificuldades para trabalhar porque não encontram vagas em creches públicas. Isso não é uma questão individual — é uma escolha política. Quando a cidade não oferece estrutura para a infância, quem perde são as mulheres. São elas que interrompem carreiras, abandonam estudos, aceitam trabalhos precários ou simplesmente ficam sem alternativa. A ausência de mulheres na política significa, muitas vezes, a ausência de políticas públicas para o cuidado. E sem creche, não há igualdade possível.

 

Assistência social: quando o Estado falha, elas seguram tudo

 

 


Em Manaus e no interior, mulheres são maioria entre as chefes de família e entre as beneficiárias de programas sociais. São elas que sustentam casas sozinhas, enfrentam desemprego e lidam com a vulnerabilidade de forma direta. Quando a assistência social não é prioridade, a sobrecarga recai sobre quem já está no limite. A política que não escuta mulheres empurra para elas a responsabilidade de sustentar a vida sem apoio institucional.

 

Violência doméstica: o preço mais brutal da exclusão

 

 


O Amazonas registra índices alarmantes de violência contra a mulher. Em muitos casos, a rede de proteção é insuficiente: faltam delegacias especializadas no interior, faltam casas de acolhimento, faltam políticas contínuas de prevenção. Quando mulheres não estão no poder, o enfrentamento à violência de gênero costuma ser tratado como pauta secundária — quando deveria ser central. E o resultado é cruel: mulheres seguem morrendo, sendo agredidas e vivendo com medo.

 

A ausência não é natural — é estrutural

 

 


Não se trata de dizer que mulheres governam “melhor” por natureza, mas de reconhecer que vivências diferentes produzem prioridades diferentes. Quando essas vivências não estão representadas, a política se torna distante, tecnocrática e, muitas vezes, insensível às urgências locais. No Amazonas, o poder ainda é concentrado em estruturas masculinas tradicionais, com pouco investimento em candidaturas femininas, baixa presença de mulheres nos partidos e violência política que frequentemente não é punida. Quando a política ignora mulheres, ela não apenas exclui — ela decide quem merece ser prioridade.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google


Para o Portal Mulher Amazônica, a pergunta não é se mulheres “podem” estar na política. A pergunta é: como o Amazonas pode avançar sem elas? Ignorar mulheres no poder significa ignorar a realidade da maioria da população. Significa deixar de enfrentar a violência doméstica com seriedade, abandonar mães sem creche, tratar saúde feminina como detalhe e transformar assistência social em improviso. A democracia amazônica só será completa quando mulheres forem parte central das decisões — não como exceção, mas como presença legítima e necessária. Porque quando a política ignora mulheres no Amazonas, quem paga a conta são elas. Todos os dias.

 
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Fontes: Diagnóstico sobre violência doméstica no Amazonas — Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MMFDH/UFV) — dados estaduais e municipalizados;
Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) — ocorrência de violência doméstica contra mulheres em 2025;
Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP/SES-AM) — boletins epidemiológicos sobre violência contra mulheres;
Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher — DataSenado (Estado do Amazonas).
 

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