Para o Portal Mulher Amazônica, dar visibilidade a prefeitas e governadoras que transformaram suas cidades é uma forma de romper com a ideia de que mulheres são exceção ou improviso na política.
Por Maria Santana Souza - Embora ainda sejam minoria nos cargos executivos no Brasil, mulheres que chegam a prefeituras e governos estaduais têm demonstrado que lideranças femininas produzem impactos concretos na gestão pública, especialmente em áreas como educação, saúde, assistência social e participação cidadã. Estudos nacionais e internacionais indicam que essas gestões tendem a ser mais inclusivas, voltadas ao cuidado e à redução das desigualdades.
Mulheres no comando: presença ainda desigual
Dados do Tribunal Superior Eleitoral e do IBGE mostram que mulheres ocupam cerca de 13% a 16% das prefeituras brasileiras e seguem sendo exceção nos governos estaduais. Mesmo assim, onde governam, deixam marcas mensuráveis em políticas públicas e na forma de administrar. O Nordeste concentra alguns dos casos mais emblemáticos, enquanto a região Norte, apesar de menor presença feminina no Executivo, apresenta experiências pioneiras e inovadoras, especialmente em capitais e cidades médias.
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Quando uma mulher está na política, a democracia muda
Quando mulheres governam: exemplos que transformaram territórios
Teresa Surita (Boa Vista – RR)
Prefeita de Boa Vista por quatro mandatos, ela esteve na prefeitura em vários anos, abrangendo as décadas de 1990, 2000, 2010 e 2020. Teresa Surita é frequentemente citada em estudos de políticas públicas urbanas e sociais. Sua gestão ficou marcada por:
• Expansão significativa da educação infantil, com aumento de vagas em creches e pré-escolas;
• Implantação de políticas integradas de assistência social e urbanismo, com foco em mulheres e famílias vulneráveis;
• Reconhecimento nacional e internacional por projetos de inclusão social e planejamento urbano.
Pesquisas sobre gestão municipal destacam Boa Vista como exemplo de cidade que avançou em indicadores sociais durante gestões femininas consecutivas, especialmente em contextos de restrição orçamentária.
Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte)

Primeira mulher eleita governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra construiu sua trajetória a partir da educação pública. Como governadora, priorizou:
• Investimentos em educação básica e valorização de profissionais da educação;
• Fortalecimento do Sistema Único de Saúde em um estado historicamente marcado por desigualdades regionais;
• Diálogo com movimentos sociais e conselhos participativos.
Estudos sobre liderança política feminina apontam sua gestão como exemplo de governo orientado por políticas sociais e escuta institucional, mesmo enfrentando forte oposição política e limitações fiscais.
Raquel Lyra (Pernambuco)

Primeira mulher a governar Pernambuco, Raquel Lyra representa uma nova geração de lideranças femininas no Executivo estadual. Sua gestão tem sido analisada por:
• Ênfase em políticas de segurança pública integradas a ações sociais;
• Reorganização administrativa com foco em eficiência e transparência;
• Ampliação do debate sobre mulheres na política em um estado historicamente comandado por homens.
Janete Capiberibe (Amapá) – legado histórico

Fotos: Reprodução
Embora não esteja em mandato atualmente, Janete Capiberibe foi a primeira mulher a governar o Amapá e é referência histórica na região Norte. Sua atuação é citada em estudos sobre pioneirismo feminino no Executivo e enfrentamento de estruturas políticas tradicionais em estados amazônicos. Seu legado segue sendo mencionado como inspiração para mulheres que ingressam na política em contextos marcados por resistência cultural à liderança feminina.
O que os estudos revelam sobre essas gestões
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Pesquisas comparativas sobre municípios e estados governados por mulheres indicam padrões recorrentes:
• Maior prioridade para educação, saúde e assistência social;
• Adoção de políticas de cuidado e proteção social com impacto direto na vida cotidiana;
• Estilos de liderança mais colaborativos e participativos;
• Maior abertura ao diálogo com comunidades locais e movimentos sociais.
Para além dos indicadores e análises técnicas, o impacto de gestões lideradas por mulheres aparece de forma clara na percepção de eleitoras e lideranças comunitárias. Pesquisas qualitativas realizadas em municípios governados por prefeitas apontam um sentimento recorrente de maior escuta, proximidade e atenção às demandas cotidianas da população. Estudos do PNUD e do Banco Mundial mostram que essas escolhas têm efeitos positivos em indicadores sociais, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade.
Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

Fotos: Divulgação
Para o Portal Mulher Amazônica, dar visibilidade a prefeitas e governadoras que transformaram suas cidades é uma forma de romper com a ideia de que mulheres são exceção ou improviso na política. Os exemplos mostram que, quando mulheres governam, há ganhos concretos para a população — especialmente para quem historicamente esteve à margem das decisões públicas. Ampliar a presença feminina no Executivo é fortalecer a democracia, qualificar políticas públicas e reconhecer que governar com sensibilidade social, responsabilidade fiscal e diálogo não é fraqueza — é competência. Enquanto mulheres seguirem sendo minoria no comando, o país continuará desperdiçando experiências bem-sucedidas que já provaram seu valor.
Fontes de pesquisa: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
Banco Mundial – estudos sobre gênero e governança
Observatórios de Gênero e Política
Estudos acadêmicos sobre liderança feminina e gestão pública
Avaliações de políticas públicas municipais e estaduais
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