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Elas nos inspiram - 12/09/2023

Pureza: A história real de uma mãe que procurou filho durante três anos

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Foto: Reprodução Google

História inspirou o filme sobre a maranhense que embarcou em uma jornada em busca do filho vítima do trabalho escravo

Filme conta a história real da maranhense Pureza Lopes Loyola (interpretada por Dira Paes), que, na década de 1990, partiu em uma longa jornada à procura de seu filho mais novo, Antonio Abel, vítima da escravidão moderna.

 

O jovem estava desaparecido havia um mês, em 1996, quando a mulher decidiu sair à sua procura. Com apenas a roupa do corpo, uma bolsa, uma Bíblia e uma foto do filho, ela partiu rumo ao estado do Pará, para onde o rapaz teria ido tentar a sorte em um garimpo, dando início a uma jornada que se encerraria somente três anos mais tarde.

 

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Trabalho escravo

 

Em sua missão, a mãe enfrentou uma série de desafios em fazendas da região Norte do país, nas quais conheceu a dura realidade de muitos trabalhadores escravizados. Nesse período, enquanto buscava pelo caçula, a mulher aproveitou para denunciar as condições desumanas às quais aqueles homens eram submetidos.

 

Foi justamente devido à sua grande coragem que Pureza recebeu, mais tarde, o Prêmio Anti-Escravidão da Anti-Slavery International, na Inglaterra.

 

Além disso, ela foi homenageada em um evento realizado em Washington, onde recebeu das mãos do secretário de Estado americano, Anthony Blinken, o prêmio "Heróis no Combate ao Tráfico".

 

Movida pela fé

 

 

Como repercutiu o portal BBC, a missão da brasileira Pureza teve início quando Abel deixou de dar notícias. Preocupada, ela, que vivia no Maranhão, decidiu contatar seus parentes no estado vizinho, mas nenhum de seus familiares paraenses sabia sequer da viagem do rapaz. Naquele momento, a idosa sabia exatamente o que tinha de fazer:

 

"Medo eu não tinha. Nunca tive. Mas tinha a certeza de que ia ir atrás dele, porque eu tenho um Deus. Eu chamava ele e dizia 'não deixa eu morrer, deixa eu ir ao fim. Eu quero ir ao fim dessa briga'", disse Pureza em entrevista à BBC News Brasil.

 

Assim, a mulher, que atuou como oleira durante décadas de sua vida, começou a trabalhar como cozinheira em fazendas do sul do Pará, para onde acreditava que o filho tinha ido.

 

O que Pureza descobriu

 

 

De acordo com a maranhense, os trabalhadores desses locais eram, em sua maioria, provindos de outros estados da região Norte e também do Nordeste e atuavam na derrubada de mata nativa para transformá-la em pasto. Eles eram recrutados pelos "gatos", como são conhecidos os aliciadores que agem a serviço de fazendeiros, em grandes cidades do Pará.

 

Entretanto, embora seduzidas por promessas irrecusáveis de trabalho, ao chegarem às propriedades, as vítimas tinham seus documentos confiscados e deixavam de ter contato com o mundo exterior. Em seguida, eram obrigadas a contraírem dívidas com os patrões para obterem itens básicos para sua sobrevivência e, até mesmo, para o desempenho de suas funções.

 

Denunciando crimes

 

 

Por ter atuado em muitas fazendas durante os mais de três anos de sua procura, Pureza conheceu de perto histórias de trabalhadores que viviam como escravos de seus empregadores. Soube do confisco de documentos, dos endividamentos para conseguir comida, remédio e vestuário, e também das ameaças que sofriam aqueles homens.

 

Convencida de que o filho estaria passando pela mesma situação daquelas pessoas, Pureza foi até a sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT), localizada em São Luís, onde encontrou o missionário diocesano Flavio Lazzarin, que a ajudou em sua busca.

 

Em seguida, a maranhense, com o auxílio da CPT, contatou o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho nos estados do Maranhão e do Pará e também no Distrito Federal. Ela chegou a escrever cartas para os presidentes Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, recebendo resposta somente do segundo.

 

Fotos: Reprodução

 

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Na época, a oleira foi para Brasília, onde não recebeu a devida atenção. "Ali ninguém tem coração, ali é só briga por dinheiro", afirmou a idosa. Mesmo assim, Pureza nunca desistiu de sua missão, pois tinha fé de que um dia encontraria Abel. E, no final, ela estava certa.

 

Conforme divulgado pela Agência Brasil, no ano de 1996, a maranhense finalmente reencontrou o filho no Pará, após ele conseguir fugir de uma fazenda local. Desde então, Abel vive a salvo com a família na cidade de Bacabal, no Maranhão.

 

Fonte: com informações do Portal Uol/Aventuras na Historia
 

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