A autora britânica que é fenômeno mundial explica por que, aos 54, luta por mais protagonistas da sua faixa etária
Um Passo de Sorte (Intrínseca), seu livro mais recente, é uma comédia romântica sobre a amizade feminina. Por que a escolha? Quando cheguei aos 50, ficou evidente quão valiosas as companhias femininas têm sido em minha vida. Todas já sobrevivemos a muita coisa e nos apoiamos. Percebi que não havia muitos livros de ficção que refletissem o que enfrentamos nessa idade: como as mulheres, apesar de carregar o mundo nas costas, podem ser engraçadas, rabugentas, sensuais, complexas. Uma história em que uma mulher de meia-idade não fosse alvo de piada nem a esposa traída.
O público tem buscado mais por esse protagonismo? Definitivamente. Antes, mal existiam papéis bacanas para atrizes acima dos 40. Hoje temos mais heroínas maduras e dramas realistas sobre mulheres. Isso me deixa esperançosa. Não vejo por que não nos retratar de forma apropriada — ainda não somos vovós grisalhas que usam bengala. Também tendemos a ser uma geração com certo dinheiro para nos divertir. O entretenimento perde muito se nos descarta porque talvez não fiquemos mais tão espetaculares de biquíni.
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Foto: Reprodução
Como tem sido sua experiência pessoal? Em um espaço de dois anos, minha mãe morreu de câncer, meu casamento de 22 anos acabou e meus filhos saíram de casa — eventos enormes para qualquer mulher. Cheguei aos 50 e tive de repensar a vida. No início, há um luto nisso, você tem de questionar quem é e onde se encaixa no mundo. Mas também há muita alegria na redescoberta. Estou mais feliz agora do que antes.
Por que tramas românticas nunca saem de moda? Amor é um tema universal. Ele induz nosso melhor e pior: dá para explorar uma vastidão de emoções. Todo ser humano, quer saiba ou não, quer ser amado. Ficamos obcecados em como conquistar isso e manter.
Esse livro é mais leve que seus anteriores. Queria dar aos leitores uma espécie de férias, porque eu mesma não conseguia mais ver ou ler nada pesado depois da pandemia e das minhas próprias circunstâncias. Mas sempre há partes sombrias, não consigo evitar.
Por quê? Porque tenho olhos. Vejo quanto cresceram o trabalho informal e a disparidade entre ricos e pobres no meu país, o momento difícil após o Brexit e a pandemia. Classe, oportunidade e dinheiro acabam aparecendo em meus livros. Como escrever sobre a vida e não reconhecer o que está por trás das dificuldades? Não posso ignorar.
Fonte: com infomações da Revista Veja
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