03 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 21/09/2025

Prostituição: Da idolatria à violência de gênero (Parte III)

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Fotomontagem do Portal Mulher Amazônica

Maria Santana Souza - Com o advento da Revolução Industrial, abriu-se a expectativa de que o trabalhador e a trabalhadoras teriam mais tempo para se dedicarem às suas famílias e às suas próprias vidas. A mecanização da produção seria uma oportunidade para diminuição da carga horária de trabalho escorchante, que chegava à dezesseis horas de trabalho por dia, ou mais.

 

Ledo engano e sonho interrompido.

 

Os salários miseráveis mantiveram a classe trabalhadora na mesma condição de extrema pobreza e a mulher continuou a cumprir dupla jornada de trabalho, na fábrica e em casa, ganhando menos do que o homem, para realizar o mesmo trabalho. Muitas precisavam se prostituir para completar o necessário para o sustento da família.

 

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O crescimento das cidades e o desenvolvimento econômico levaram ao aumento da prostituição em todo o mundo. Isso já tinha acontecido com o surgimento das cidades e o desenvolvimento da economia mercantil na idade média. Não só a pobreza ficou mais exposta, mas a mendicância, os roubos e a prostituição.

 

Os séculos XIX e XX foram palcos de novos debates sobre a regulamentação ou não da prostituição.

 

 

 

Na Grã-Bretanha, entre as décadas de 1860 e 1870, foi regulamentada a profissão, como forma de conter a proliferação da sífilis. O debate foi intensificado com o surgimento do movimento abolicionista, liderado por Josephine Butler, contrário aos Atos das Doenças Contagiosas, que davam poder à polícia de deter qualquer mulher e enquadrá-la como prostituta comum, obrigando-a a se submeter a exames para verificação da doença.

 

Na Alemanha, desde o final do século XIX até a primeira guerra mundial, correntes políticas de direita organizaram movimentos contra a prostituição, com forte viés moralista. Criaram Associações para a Moralidade e Associação para Proteção dos Jovens. Já a esquerda, também se opunha, mas com críticas ao capitalismo, que fazia do corpo feminino um produto, escravas sexuais.

 

 

 

Durante a Primeira Guerra Mundial, Alemanha e França legalizaram os bordéis, enquanto a Inglaterra decretou toque de recolher para mulheres, para evitar a prostituição. Nos Estados Unidos, bordéis foram fechados e as prostitutas tiveram que trabalhar na ilegalidade. Na Rússia, Stálin acabou com a prostituição através de um decreto, uma forma equivocada de falar ao mundo que no socialismo não existia essa mazela do capitalismo.

 

Na Segunda Guerra Mundial, Itália e Alemanha, respectivamente, o fascismo e o nazismo, reprimiram a prostituição. Na Alemanha hitlerista, as prostitutas eram mandadas para campos de concentração. Essas duas correntes políticas, marcadas por crimes contra a humanidade, levantavam a bandeira da moral e perseguiam fortemente estratos sociais que consideravam desviantes das suas virtudes. Um manto de hipocrisia e maldade.


E no Brasil, como se deu o debate e a realidade da prostituição?

 

 

 

No século XIX, as prostitutas eram mulheres negras, escravas e ex-escravas, que geralmente serviam também de empregadas domésticas nas casas dos seus senhores ou ex-senhores.

 

No século XX, durante o Estado Novo, em São Paulo, as prostitutas foram segregadas no bairro de bom retiro, para evitar a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis. No Rio de Janeiro, a zona do meretrício ficou na região do mangue. No final do século XIX, houve uma tentativa de regulamentação da profissão em São Paulo.

 

A partir de 1960, o Brasil viveu um outro ambiente social, com a pílula anticoncepcional e outros métodos contraceptivos. Já não havia mais o temor da gravidez indesejada e a consequente submissão da mulher à sina de cuidar de filhos pequenos por toda vida. A prostituição deixou de ser vista como uma entrada para doenças e mesmo para filhos não esperados.


Agora, se iniciava uma outra luta, a luta pela emancipação feminina.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Em 1988, o Código Penal Brasileiro deixou de proteger os abusos contra as "mulheres perdidas", inclusive estupro, e a sociedade passou a ter uma outra visão com relação às prostitutas, que não são mais tratadas como mulheres estranhas no convívio social. Mesmo o debate no movimento feminista pegou um outro caminho, se dividindo entre o direito ao uso do seu corpo e a condenação da prostituição enquanto meio de coisificar a mulher.

 

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Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Brasil. Formada em Direito, começou sua carreira como editora do Portal do Zacarias, tornando-se um de discrição e com propósito. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Mária Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.

 

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