03 de Maio de 2026

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Especial Mulher - 14/07/2025

Prostituição: Da idolatria à violência de Gênero (Parte I)

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Foto: Fotomontagens do Portal Mulher Amazônica

Nas sociedades nômades do mundo ocidental, as prostitutas eram sacerdotisas xamânicas, que organizavam rituais sexuais na comunidade. O sexo era sagrado e coletivo.

Por Maria Santana Souza - O mundo já viveu um longo período, milênios, sem a imposição da moral religiosa sobre o sexo.

 

Na antiguidade, como no Estado de Roma, a prostituição era regulamentada e as chamadas "lobas" pagavam impostos de acordo com seus ganhos. Na Grécia, as prostitutas circulavam entre as elites e muitas delas tinham habilidades artísticas.

 

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Entre os assírios, alguns historiadores e historiadoras nos revelam que havia "prostituição com fins ritualísticos", visão retrucada por outros, que entendem o ato de se prostituir como uma troca compensatória, o que não caberia naquele com fim religioso.

 

Nem sempre sexo foi tabu ou a nudez foi considerada promiscuidade. Se olharmos os deuses gregos, eram envoltos em pouquíssimas roupas, ou nenhuma, e quase sempre vestidos com o que consideramos hoje roupas femininas.

 

 

 

Nas sociedades nômades do mundo ocidental, as prostitutas eram sacerdotisas xamânicas, que organizavam rituais sexuais na comunidade. O sexo era sagrado e coletivo.

 

Aqui, novamente, há uma divergência de concepção, já que a simples promoção do sexo da mulher com muitos homens não seria prostituição, pois não havia compensação, nem mesmo de favores. No entanto, a atribuição do título de sacerdotisa dado à mulher poderia ser entendida como uma troca.

 

 

 

 

Esse endeusamento da mulher vinha desde a chamada pré-história. Como ela engravidava sem que os homens conhecessem sua participação na perpetuação da espécie, era atribuída sua geração à dádiva divina, uma conexão com o sagrado. Daí a constituição das sociedades matriarcais. Além da gravidez, as mulheres também eram coletoras de quase todos os alimentos consumidos pela comunidade.

 

A jornalista e ativista feminista, Nana Queiroz, em artigo publicado na revista AzMina, fundada por ela, nos diz quando esse reinado das putas deusas, e da mulheres, acabou.

 

"Foi lá pelo ano 3 mil antes de Cristo que os homens das primeiras comunidades começaram a entender que participavam da gravidez e, paulatinamente, ao longo dos séculos, começaram a querer garantir que o filho que criavam, de fato, era deles. Não queriam que a propriedade construída durante a vida toda fosse parar nas mãos dos filhos de outro homem."

 

 

 

Esse processo, que veio substituir cerca de 25 mil anos de sociedades patriarcais, abriu o caminho para a subjugação da mulher e a condenação das prostitutas, assim como da liberdade sexual.

 

A criação de um Deus monoteísta e o domínio da igreja católica no mundo ocidental marcou o início da idade média, impondo padrões morais para as mulheres e dando poderes aos homens sobre suas esposas. A prostituição passou a ser combatida, mas hipocritamente tolerada para servir de válvula de escape do tesão masculino e evitar o aumento de estupros.

 

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Fotos: Reprodução/Google

 

Em 1254, Luiz IX, rei da França, editou um decreto expulsando as prostitutas das cidades e aldeias francesas. Dois anos depois, ele alterou a ordem e passou a admitir as prostituée nas periferias das cidades. Ou seja, a sociedade cristã e machista não conseguiu viver mais de dois anos longe das profissionais do sexo.

 

Maria Santana Souza é Jornalista, sob o nº 001487/AM, diretora-presidente do Portal Mulher Amazônica e apresentadora do podcast Ela.

 

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