Capitão Alberto Neto (esquerda), presidente dos EUA, Donald Trump (centro) e o deputado federal Amom Mandel (direita)
Dos 11 parlamentares da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, somente dois deputados federais se manifestaram, na quarta-feira, 9, sobre o anúncio do “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs 50% de taxação sobre as importações brasileiras, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de agosto. Um saiu em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) e o outro, para atribuir a culpa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado Amom Mandel (Cidadania) escreveu em suas redes sociais que não aceita ataques à democracia brasileira e saiu em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM), que pode ser impactada pelas tarifas dos EUA.
“Vamos defender Manaus com dados, articulação e firmeza. Mas sem cair na armadilha da polarização que só interessa a quem lucra com o caos. A Zona Franca não é um privilégio, é uma estratégia nacional de ocupação da Amazônia com geração de emprego, inovação e desenvolvimento. Desestabilizá-la, em nome de um jogo de forças geopolítico e ideológico, é agir contra o próprio Brasil”, escreveu.
Veja também

Governo do AM e federal preparam estruturas para enfrentar incêndios na Amazônia
.jpg)
O parlamentar também disse que “Manaus não pode pagar por brigas ideológicas — nem aqui, nem lá fora”. “A possível tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, se concretizada, seria um golpe duríssimo contra milhares de trabalhadores da Zona Franca de Manaus — e, por tabela, contra toda a economia amazonense”, completou.
O deputado Capitão Alberto Neto (PL) compartilhou em suas redes o pequeno pronunciamento que fez no plenário da Câmara dos Deputados, na noite dessa quarta-feira. Para o parlamentar, que é aliado e do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o culpado do “tarifaço” de Trump é o presidente Lula.
“O nome desse culpado se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem cometido um incidente diplomático atrás do outro. Ele peitou o Trump nos Brics. Ele chegou à Europa e disse que a culpa da guerra também era da Ucrânia. Ele apoia o Irã, ele apoia o Hamas, ele traz uma condenada por corrupção do Peru. Ele chega à Argentina e levanta um cartaz a favor de uma condenada por corrupção. O Brasil escolheu o seu lado. Quer dizer, Lula escolheu o seu lado”, afirmou.
Alberto Neto pediu ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para liderar o processo, porque o presidente da República não teria condições. “O Congresso Nacional precisa reagir para salvar a economia brasileira. São milhões de brasileiros que dependem da nossa economia, e esse Governo vem aumentando imposto atrás de imposto e ficando ao lado de ditaduras”, concluiu.
Carta
.png)
Na carta enviada ao governo brasileiro, Donald Trump justifica a tarifa de 50% contra as exportações do Brasil com três argumentos: um de que o comércio entre os dois países seria desfavorável, o que já foi refutado, uma vez que a balança comercial é superavitária para os estadunidenses; ele cita o julgamento de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como uma “vergonha internacional” e uma caça às bruxas que deve acabar “imediatamente”; e, por último, critica as decisões do Supremo contra plataformas digitais americanas, que foram punidas por descumprimento de ordens judiciais.
O presidente Lula respondeu à carta de Trump e disse que “o Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”. O presidente afirmou, ainda, que qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.
“O processo judicial contra aqueles que planejaram o golpe de estado é de competência apenas da Justiça Brasileira e, portanto, não está sujeito a nenhum tipo de ingerência ou ameaça que fira a independência das instituições nacionais”, ressaltou Lula para completar: “No contexto das plataformas digitais, a sociedade brasileira rejeita conteúdos de ódio, racismo, pornografia infantil, golpes, fraudes, discursos contra os direitos humanos e a liberdade democrática”.
Foco na agenda diária
.jpg)
Fotos: Reprodução/Google
Os outro nove parlamentares mantiveram ativas suas redes sociais, mas com destaques apenas ao trabalho diário realizado na Câmara ou no Senado, onde outros parlamentares se manifestaram sobre o “tarifaço” dos EUA. Dos três senadores Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD) e Plínio Valério (PSDB), apenas Valério fez discurso no plenário do Senado, para comemorar a aprovação de seu projeto de lei, que garante o exame anual de mamografia para mulheres a partir dos 40 anos de idade. Os demais publicaram em suas redes sociais apenas o dia a dia de trabalho em Brasília.
Na Câmara, além de Alberto Neto, o deputado Silas Câmara (Republicanos) também tomou a palavra em plenário, mas apenas para parabenizar os pescadores e pescadoras pelo de seu dia, comemorado no final de junho. Os deputados Adail Filho (Republicanos), Átila Lins (PSD), Sidney Leite (PSD), Pauderney Avelino (União e Fausto Junior (União) não fizeram qualquer manifestação sobre a crise entre Brasil e EUA e priorizaram as redes sociais para publicar o trabalho do dia na Câmara e ajuda aos municípios.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.