O comitê da premiação mais importante do mundo elogiou a luta de Mohammadi
A ativista iraniana de direitos humanos Narges Mohammadi foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz no ano passado, 2023.
O comitê da premiação mais importante do mundo elogiou a luta de Mohammadi, de 51 anos, contra a opressão das mulheres no país islâmico. Mohammadi atualmente cumpre pena de 10 anos na famosa prisão de Evin, em Teerã.
Em 2022, o prêmio foi para o grupo russo de direitos humanos Memorial, para o Centro para as Liberdades Civis da Ucrânia e para o defensor dos direitos humanos bielorrusso Ales Bialiatski.Os nomes dos indicados são mantidos em segredo, mas mais de 350 pessoas e grupos estavam concorrendo neste ano.
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A luta de Mohammadi teve um “tremendo custo pessoal”, disse a presidente do comitê do prêmio Nobel, Berit Reiss-Andersen.Na cerimônia nesta sexta-feira, em Oslo, Reiss-Andersen começou seu discurso com as palavras “mulher – vida – liberdade”, em referência ao lema dos recentes protestos em massa que varreram o Irã.
Ela prosseguiu descrevendo o prêmio como um reconhecimento às centenas de milhares de iranianas e iranianos que se manifestaram no ano passado contra “as políticas de discriminação e opressão do regime teocrático contra as mulheres” – um movimento liderado, segundo ela, pela nova ganhadora do prêmio Nobel.
Milhões de iranianos devem aplaudir este prêmio junto a ativistas dos direitos humanos em todo o mundo. A decisão do comitê Nobel também envia um sinal muito forte de desaprovação às autoridades iranianas.
Na cerimônia, Reiss-Andersen também instou o Irã a libertar Mohammadi da prisão para que ela pudesse participar na cerimônia de entrega do prêmio, marcada para dezembro.
“Se as autoridades iranianas tomarem a decisão certa, irão libertá-la para que possa estar presente para receber esta honra, que é o que esperamos principalmente.”
Mas é altamente improvável que a ativista consiga realmente receber o prêmio pessoalmente. A ONU disse que o prêmio destacou “a coragem e a determinação das mulheres do Irã e como elas são uma inspiração para o mundo”.
Detida 13 vezes
Narges Mohammadi é ativista e vice-líder do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, fundado pela também ganhadora do Nobel Shirin Ebadi.
Em declarações à BBC em 2020, Mohammadi explicou porque se dedicava à promoção dos direitos das mulheres no Irã.
“Na minha opinião, apoiar os esforços e ações de direitos humanos que visam alcançar a liberdade e a justiça em qualquer lugar, seja no Irã ou em outro país, é muito importante e muito tocante”, disse.
Ela afirmou que seu foco estava na criação de uma instituição que garanta direitos às pessoas.

Fotos: Reprodução Google
"Se os nossos esforços no Irã, juntamente com todo o reconhecimento e apoio de fora do Irã, conduzirem à criação de um órgão que garanta os direitos em qualquer sociedade, incluindo o Irã, podemos dizer que seremos capazes de resolver problemas relacionados com aos direitos humanos", disse ela
Mohammadi foi detida 13 vezes, condenada cinco vezes e sentenciada a um total de 31 anos de prisão. Ela também foi condenada a 154 chicotadas – não está claro se essa punição foi executada.
Em dezembro passado, ela escreveu da prisão e deu detalhes angustiantes à BBC sobre como as mulheres iranianas detidas em manifestações estavam sendo abusadas sexual e fisicamente.
Ela disse que tais agressões se tornaram mais comuns durante os protestos, desencadeados pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini, de 22 anos, em setembro de 2022.
Mais tarde, a onda se espalhou por todo o país, com exigências que iam desde mais liberdades até à derrubada do Estado.
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Imagens de mulheres iranianas ateando fogo em seus véus de cabeça rodaram o mundo. Autoridades iranianas reprimiram brutalmente os protestos, que diminuíram em grande parte.
Fonte: com informações Portal BBC
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