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Diversidade - 04/10/2025

Mulher vive mais que homem? Novo estudo investiga raiz de dúvida evolutiva

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Foto: Freepik

Pesquisa revela que a diferença de longevidade entre sexos está enraizada na evolução e varia entre espécies

De modo geral, mulheres tendem a viver mais do que homens — uma realidade observada em quase todos os países e períodos históricos, e até mesmo em outras espécies. Mas o que explica essa diferença? Uma pesquisa publicada na Science Advances (e que você pode ler na íntegra neste link) sugere que a longevidade feminina tem raízes profundas na evolução.


Liderada por cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, uma equipe internacional analisou 1.176 espécies mantidas em cativeiro, realizando uma análise abrangente sobre diferenças de expectativa de vida entre machos e fêmeas em mamíferos e aves. Os resultados mostraram que, em média, fêmeas de mamíferos vivem 12% mais que os machos. Já nas aves, o padrão se inverte: os machos vivem cerca de 5% mais que as fêmeas.


Uma explicação possível está na hipótese do sexo heterogamético, que relaciona as diferenças de longevidade aos cromossomos sexuais. Nos mamíferos, fêmeas possuem dois cromossomos X, enquanto machos têm um X e um Y, sendo heterogaméticos. Ter dois cromossomos X poderia proteger as fêmeas de mutações prejudiciais, conferindo vantagem de sobrevivência. Em aves, no entanto, são as fêmeas que são heterogaméticas.

 

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No estudo, 72% dos mamíferos apresentaram vantagem de expectativa de vida para as fêmeas, enquanto 68% das aves mostraram vantagem para os machos, apoiando a hipótese do sexo heterogamético. Mas as diferenças não são universais. “Algumas espécies exibem o padrão oposto ao esperado”, comentou a autora principal, Johanna Stärk. “Por exemplo, em muitas aves de rapina, as fêmeas são maiores e vivem mais que os machos. Então, os cromossomos sexuais explicam apenas parte da história.”


Evolução reprodutiva

 


Para aprofundar as teorias, os pesquisadores analisaram estratégias reprodutivas. Por meio da seleção sexual, machos muitas vezes desenvolvem características que aumentam o sucesso reprodutivo, mas prejudicam a longevidade — cores chamativas, grande porte ou armas corporais. Nos mamíferos polígamos com alta competição, os machos morrem mais cedo que as fêmeas. Em aves, muitas vezes monogâmicas e com menor competição, os machos tendem a viver mais. No geral, poligamia e diferenças acentuadas de tamanho associam-se a uma vantagem maior para as fêmeas.


O estudo também mostrou que o sexo mais envolvido na criação dos filhotes tende a viver mais — geralmente as fêmeas nos mamíferos. Em espécies de vida longa, como primatas, isso oferece vantagem evolutiva: fêmeas sobrevivem até que os filhotes se tornem independentes ou sexualmente maduros, garantindo a continuidade da espécie.

 

Fotos: Reprodução/Google


Todas as espécies analisadas viviam em zoológicos, protegidas de estressores ambientais como clima rigoroso, fome e predadores. Embora essas pressões possam explicar parte da diferença de expectativa de vida, o estudo constatou que a vantagem feminina observada na natureza persiste mesmo em cativeiro. O mesmo ocorre em humanos: avanços em medicina e condições de vida reduziram, mas não eliminaram a diferença de longevidade entre homens e mulheres.

 

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“Nosso estudo ajuda a explicar por que as diferenças na expectativa de vida adulta entre homens e mulheres são tão consistentes ao longo do tempo e entre culturas”, concluem os pesquisadores. “A expectativa de vida mais longa das fêmeas é comum em chimpanzés e gorilas, indicando que essa característica está profundamente enraizada na nossa história evolutiva.”


Fonte: Com informações Correio Braziliense 

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