Aulas incluem práticas supervisionadas e consultas gratuitas
A Afya Educação Médica, referência em formação médica no país, anunciou o lançamento do Curso de Aprimoramento em Medicina Transgênero, voltado para médicos de diversas especialidades que desejam oferecer um atendimento mais completo e humanizado à população trans e não-binária . A iniciativa, inédita no Brasil, também prevê consultas práticas supervisionadas gratuitas à comunidade, ampliando o acesso a cuidados de saúde qualificados.
De acordo com Renata Bussuan, coordenadora da pós-graduação em Endocrinologia da Afya e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero, ao iG Queer, a ideia surgiu a partir da percepção de que o atendimento ao paciente trans precisa ser integral, contemplando diferentes áreas médicas .“Embora já existisse um módulo de saúde transgênero em nossa pós-graduação, identificamos a necessidade de um curso dedicado, que prepare médicos para oferecer cuidado humanizado e baseado em evidências científicas” , afirma.
O curso, que terá início em 27 de outubro na unidade da Afya no Rio de Janeiro, terá duração de seis meses e carga horária de 72 horas, combinando videoaulas, encontros ao vivo e práticas ambulatoriais supervisionadas. Além de endocrinologistas, profissionais de áreas como urologia, ginecologia, psiquiatria e medicina de família podem se inscrever.
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Foto:Reprodução/Google
A grade curricular inclui módulos sobre Fundamentos da Medicina Transgênero, Abordagens Multidisciplinares e Psicossociais, Terapia Hormonal Afirmativa e Cuidados Endocrinológicos Avançados, sempre com foco em uma prática ética, integral e centrada no paciente. Um diferencial do curso é a realização de consultas práticas gratuitas, realizadas aos finais de semana durante o período das turmas.
“Essas consultas permitem que os alunos coloquem em prática o conhecimento adquirido e, ao mesmo tempo, ampliem o acesso da população trans a um atendimento qualificado” , explica Bussuan.
Segundo a médica, a iniciativa busca preencher lacunas importantes na formação médica atual. A maioria dos currículos no Brasil não aborda de forma sistemática os aspectos clínicos, psicossociais e éticos do atendimento a pessoas trans, deixando pacientes desassistidos e profissionais inseguros.“Nosso objetivo é unir conhecimento técnico atualizado a uma visão integral da pessoa trans, respeitando suas especificidades e direitos”, diz.
O impacto esperado vai além da capacitação de profissionais. Bussuan acredita que a iniciativa pode contribuir para uma mudança estrutural na educação médica, consolidando a medicina transgênero como disciplina relevante e ampliando o debate sobre o cuidado integral à população trans.
Fonte: com informqações Revista IstoÉ
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