14 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 09/02/2026

Marielle Franco morreu. Outras desistiram: como a violência política segue silenciando mulheres no Brasil

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Foto: Reprodução/Google

O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso em denunciar, visibilizar e enfrentar todas as formas de violência política de gênero, raça e território ? especialmente na Amazônia, onde lideranças femininas enfrentam riscos ainda maiores.

O assassinato da vereadora Marielle Franco, em março de 2018, não foi apenas a execução brutal de uma mulher negra, periférica e defensora de direitos humanos. Foi um marco de ruptura na democracia brasileira. Desde então, a violência política contra mulheres deixou de ser apenas simbólica ou discursiva e passou a ser percebida como uma ameaça real, concreta e letal.

 

Sete anos depois, o país ainda convive com os efeitos desse crime. Eles não aparecem apenas nos dados de segurança pública ou nos relatórios internacionais, mas nas decisões silenciosas de mulheres que desistiram de disputar eleições, abriram mão da reeleição ou se afastaram da vida pública por medo, esgotamento emocional e falta de proteção institucional. A violência política não matou só Marielle. Ela segue expulsando mulheres da política todos os dias.

 

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Violência política como método de silenciamento

 

 


A violência política contra mulheres assume múltiplas formas: ameaças de morte, perseguições, ataques racistas e misóginos, campanhas de difamação, assédio dentro dos parlamentos, violência digital e exposição da vida familiar como forma de intimidação. Não se trata de episódios isolados. Trata-se de um método de controle que tem como objetivo limitar quem pode ocupar o poder. Relatórios do Observatório da Violência Política de Gênero e Raça apontam que mulheres negras, indígenas, LGBTQIA+ e defensoras de direitos humanos são as principais vítimas. Quanto mais uma mulher rompe padrões históricos de poder, maior é a violência que ela enfrenta.

 

O efeito Marielle: quando o medo afasta mulheres da política

 

 


Após o assassinato de Marielle Franco, muitas mulheres relataram, pela primeira vez, o impacto psicológico real de fazer política no Brasil. Deputadas estaduais, vereadoras e lideranças comunitárias passaram a conviver com escoltas armadas, mudanças forçadas de rotina, vigilância constante e medo de represálias contra familiares. Em entrevistas e pesquisas conduzidas por organizações da sociedade civil, diversas parlamentares afirmaram ter desistido da reeleição ou de novas candidaturas após sofrerem violência política contínua. O recado é claro: o custo emocional, físico e familiar de estar na política se tornou alto demais para muitas mulheres.

 

Quando a violência vem de dentro das instituições

 

 


A violência política não parte apenas de eleitores ou grupos extremistas. Em muitos casos, ela nasce dentro dos próprios parlamentos. O caso da deputada estadual Isa Penna (SP), assediada fisicamente por um colega durante uma sessão da Assembleia Legislativa em 2020, escancarou a cultura institucional machista que ainda protege agressores e expõe vítimas. O episódio gerou sofrimento psicológico, exposição pública forçada e desgaste emocional profundo. Mais do que um ataque individual, revelou como o sistema político muitas vezes normaliza a violência para “ensinar” mulheres a permanecerem em silêncio.

 

Lei 14.129/21: avanço legal, limites práticos

 

 

 


Em resposta à escalada de violência, o Brasil aprovou a Lei nº 14.129/2021, que tipifica a violência política contra a mulher e estabelece punições para práticas que impeçam ou dificultem o exercício de mandatos e direitos políticos femininos.

 

A legislação reconhece oficialmente:

 


• ameaças;
• assédio;
• perseguição;
• humilhação;
• ataques baseados em gênero, raça ou etnia.

 

Apesar do avanço jurídico, especialistas alertam que a lei ainda enfrenta baixa aplicação prática, falta de investigação adequada e ausência de punições exemplares — o que contribui para a sensação de impunidade.

 

O impacto invisível: família, saúde mental e desistência

 

 

 


A violência política não atinge apenas quem ocupa o cargo. Ela atravessa famílias inteiras. Mulheres parlamentares relatam ansiedade crônica, medo constante, adoecimento emocional e impactos diretos sobre filhos e parceiros. Muitas passam a se questionar se permanecer na política vale o risco. Esse efeito invisível é um dos mais graves: a democracia perde quando mulheres são forçadas a sair para sobreviver.

 

Democracia sob ameaça

 

 


Estudos internacionais indicam que países com maior violência política de gênero apresentam:

 

• menor diversidade nos parlamentos;
• políticas públicas menos inclusivas;
• maior descrédito da população nas instituições;
• enfraquecimento da democracia representativa.

 

Quando mulheres são silenciadas, não é apenas uma pauta identitária que se perde — são decisões, políticas e direitos que deixam de existir.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Para o Portal Mulher Amazônica, o assassinato de Marielle Franco não pode ser tratado como um episódio do passado. Ele é um divisor de águas que continua produzindo medo, silêncio e desistências no presente. A violência política contra mulheres é uma estratégia de exclusão e não uma consequência inevitável da vida pública. Enquanto mulheres precisarem escolher entre fazer política e preservar a própria vida, a democracia brasileira seguirá incompleta.

 
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O Portal Mulher Amazônica reafirma seu compromisso em denunciar, visibilizar e enfrentar todas as formas de violência política de gênero, raça e território — especialmente na Amazônia, onde lideranças femininas enfrentam riscos ainda maiores.
Lutar para que mulheres permaneçam na política é lutar pela democracia.
E nenhuma democracia se sustenta sobre o medo.

 

Fontes:
Observatório da Violência Política de Gênero e Raça
ONU Mulheres
Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Câmara dos Deputados
Relatórios da Anistia Internacional
Articulações de Mulheres Negras Brasileiras
Lei nº 14.129/2021 – Violência Política contra a Mulher
 

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