O enredo se desenrola na Ilha do Marajó (Pará), numa comunidade ribeirinha, acompanhando Marcielle, uma menina de 13 anos, que vive num ambiente marcado por violências ? inclusive abuso sexual, exploração infantil
Manas é um filme brasileiro de drama, de ficção, dirigido por Marianna Brennand, seu primeiro longa de ficção. O enredo se desenrola na Ilha do Marajó (Pará), numa comunidade ribeirinha, acompanhando Marcielle, uma menina de 13 anos, que vive num ambiente marcado por violências — inclusive abuso sexual, exploração infantil — tanto dentro da família quanto no entorno social, com opressões que silenciaram mulheres e meninas por gerações.
O filme nasceu de uma pesquisa de dez anos feita por Marianna Brennand, coletando relatos reais de abuso sexual de crianças na região amazônica. Inicialmente ela pensou em documentário, mas decidiu que a ficção seria o caminho mais ético, para não revitimizar — isto é, para não obrigar crianças ou mulheres que sofreram traumas a recontar ao vivo suas histórias dolorosas.
O desafio era contar abusos graves sem espetacularizar a violência. A diretora fala que “não é trazer mais violência, mas fazer o abuso presente, real, na voz da vítima, na sua perspectiva, inclusive no corpo dela, nas marcas que a dor deixa emocionalmente”. Outro ponto forte: o uso de atores locais e crianças da região, inclusive a protagonista Jamilli Correa é do Pará. Isso traz veracidade, densidade emocional e proximidade à realidade do Marajó.
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Marianna Brennand estreia na ficção com Manas. Antes, seu trabalho vinha de documentários e de envolvimentos culturais. É uma mulher que fez esse filme como parte de sua responsabilidade artística e social; seu desejo é dar voz às pessoas silenciadas, provocar reflexão, mobilizar políticas públicas, participação de ONGs, promover ações que realmente ajudem vítimas. Ela fala que histórias “que sangram” nela, que marcaram, feridas que ela carrega e que fazem parte da urgência de se contar essa história.
Elenco principal e personagens
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• Jamilli Correa interpreta Marcielle (ou Tielle), a jovem protagonista que confronta o ciclo de violência.
• Dira Paes interpreta Aretha, uma policial inspirada num delegado da região, pessoa que atua no combate à exploração sexual infantil no Marajó.
• Também fazem parte do elenco Fátima Macedo como Danielle (a mãe), Rômulo Braga como Marcílio (o pai), além de atores locais que enriquecem o retrato da comunidade.
Violência doméstica / sexual, abuso infantil
O filme aborda incesto, pedofilia, exploração sexual fora e dentro da família, e silêncio ou cumplicidade de quem está ao redor: mãe (grávida), irmão mais velho que não fala, comunidade que precisa conviver com o abuso. Também mostra o espaço geográfico como um elemento: balsas, rios, isolamento, dificuldade de acessar ajuda — físico e institucional.
Fala de Julia Roberts e Sean Penn
Durante uma exibição especial do filme nos Estados Unidos (em Los Angeles), promovida por Julia Roberts e Sean Penn, com a presença da diretora Marianna Brennand e da atriz Dira Paes, ocorreram comentários marcantes:
Julia Roberts disse: “Este filme faz você acreditar na vida de uma forma tão triste e bela e mágica.” Sean Penn, ao associar-se ao filme como produtor executivo, comentou: “Faz um perfeito uso do cinema. Uma lição sobre um poder que você não vê. É perfeito.”
Também ele lembrou do primeiro contato com Marianna em Cannes, quando ela recebeu o prêmio Women In Motion Emerging Talent Award 2025, e disse que sentiu que ela tinha uma autenticidade muito forte, que inevitavelmente resultaria em algo grande. Em outra fala, Marianna cita que Penn disse que ela “teletransportou ele de Los Angeles pro Marajó”, que ele sentiu essa imersão.
Dira Paes entende que seu personagem, Aretha, é uma figura importante não só ficcional: inspirado em pessoas reais que atuam na região, no combate à exploração sexual infantil. Ela destaca a importância da campanha de divulgação do longa: para mostrar que o cinema brasileiro participa fortemente do cenário mundial, que não estamos à parte, que atravessamos fronteiras com estas narrativas.
Prêmios e reconhecimento
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Fotos: Reprodução/Google
• Manas já ganhou mais de 20 prêmios internacionalmente.
• Foi premiado em Veneza com o Director’s Award da seção Giornate degli Autori.
• Também reconhecido em Cannes.
Manas provoca uma mistura de dor, indignação, empatia. Ele chama atenção para algo que muitos preferem ignorar ou não olhar de frente — abuso infantil, exploração sexual, silêncio social, omissão institucional. Mas ao mesmo tempo mostra resistência: da protagonista, da diretora, das personagens que lutam, das vozes que se levantam.
A beleza do filme está também em como ele não recorre à violência gráfica gratuita; ele usa o olhar, o silêncio, o corpo que reage, a natureza ameaçadora e bela, para construir uma narrativa sensível, mas potente. Ele emociona porque não é só história, é realidade que muitas pessoas enfrentam. Também é forte ver que artistas de renome internacional como Julia Roberts e Sean Penn usam sua visibilidade para dar apoio — isso ajuda a dar alcance, faz com que o filme chegue a públicos que talvez estivessem distantes, e que o debate se amplie.
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