O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast agradecem a presença do maestro Everaldo Barbosa, cuja trajetória inspira e reafirma a importância da arte como instrumento de transformação social e valorização da identidade amazônica.
Na mais recente edição do Ela Podcast, o maestro Everaldo Barbosa compartilhou com emoção e firmeza sua trajetória artística, sua visão sobre a música erudita na Amazônia e o poder transformador do canto coral em comunidades periféricas.
A história de Everaldo com a música começou aos 19 anos, em 1989, quando foi aprovado por audição para integrar o Coral do Teatro Amazonas, sob a regência do maestro Dirson Costa. Desde então, sua trajetória tem sido marcada por dedicação, talento e compromisso com o desenvolvimento cultural da região amazônica.
Formado em Música com habilitação em Canto Lírico pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e bacharel em Direito pela Universidade Paulista (UNIP), Everaldo construiu uma carreira sólida como tenor e maestro. Ao longo da formação, teve o privilégio de estudar com alguns dos mais renomados professores de canto lírico do Brasil e do exterior, experiência que ampliou sua sensibilidade artística e seu repertório.
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Durante a entrevista, ele destacou com entusiasmo a ópera Dessana, do maestro Adelson Santos, como uma de suas favoritas. A obra, que mescla elementos líricos e populares, é um exemplo da potência criativa regional que precisa ser mais valorizada e difundida. Everaldo participou da montagem e enxerga nela uma forma de celebrar a identidade amazônica por meio da música.
Mais do que intérprete, Everaldo é também um mobilizador social. Idealizador de projetos de corais em comunidades periféricas de Manaus, ele defende o canto coral como um importante instrumento de cidadania. “O canto coral, por ser coletivo, influencia diretamente na formação cidadã. Muitos participantes desses projetos nunca tinham entrado no Teatro Amazonas. Levar esses jovens para esse espaço é resgatar o valor da cultura amazônica e dar acesso àquilo que também é deles”, afirma.

Fotos: Divulgação/Portal Mulher Amazônica
Para o maestro, democratizar o acesso à música erudita é uma urgência. Ele acredita que a aproximação com a música, especialmente entre os jovens, pode transformar realidades e ampliar horizontes. “A música erudita, e a ópera em particular, precisam estar acessíveis. Não podemos continuar presos ao eurocentrismo musical. Temos nossas raízes, nossos mitos, nossa estética. Precisamos fomentar os nossos compositores, como Adelson fez, com temáticas que retratem o imaginário amazônico.”
Ao ser perguntado sobre o que falta para que a música erudita, especialmente a ópera, ganhe mais espaço dentro da cultura amazônica, Everaldo foi categórico:
“Criamos o Fórum exatamente para dar visibilidade aos nossos artistas locais. Estamos desde o início no Festival Amazonas de Ópera, há 28 anos. Embora estejamos na 26ª edição, por conta de dois anos de pausa, a luta continua. Queremos criar um núcleo de ópera com identidade amazônica, que dialogue com a nossa mitologia. É claro que a influência europeia sempre estará presente, mas precisamos sair da dependência e criar nossas próprias narrativas musicais.”
O maestro encerrou a conversa reforçando que a arte tem o poder de formar consciências e conectar histórias. O caminho para o fortalecimento da ópera na Amazônia passa pela valorização do que é local, pelo incentivo à criação e pelo acesso à formação musical nas periferias. Everaldo Barbosa não é apenas um artista, é também um construtor de sonhos e possibilidades por meio da música.
O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast agradecem a presença do maestro Everaldo Barbosa, cuja trajetória inspira e reafirma a importância da arte como instrumento de transformação social e valorização da identidade amazônica.
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