No centro dessa transformação estão as mulheres e meninas, especialmente as que vivem em regiões vulneráveis, como a Amazônia, que enfrentam o duplo desafio da exclusão digital e da violência simbólica.
O Relatório de Impacto 2025 da Aliança HeForShe, lançado durante a Cúpula HeForShe em Nova York, revela um crescimento preocupante da misoginia online, com jovens cada vez mais expostos a conteúdos que reforçam estereótipos tóxicos e discursos antifeministas. Sob o tema “Masculinidades Igualitárias e Espaços Digitais Seguros”, a conferência ocorre em um ano simbólico: o 30º aniversário da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim, o acordo internacional mais ambicioso já firmado em prol da igualdade de gênero.
Três décadas depois de Pequim: avanços e retrocessos
Desde sua adoção por 189 governos em 1995, a Plataforma de Pequim orientou políticas públicas no mundo todo.
Segundo a revisão Pequim+30 da ONU Mulheres, 88% dos países já promulgaram leis contra a violência de gênero e a maioria proibiu a discriminação no trabalho.
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Mas o relatório também traz um alerta: um quarto das nações enfrenta retrocessos, impulsionados pela pandemia de COVID-19, crises climáticas, conflitos armados e o avanço da misoginia digital, que se espalha pelas redes com uma velocidade sem precedentes.
- A Aliança HeForShe — movimento global da ONU que envolve homens e meninos na promoção da igualdade — destacou resultados concretos:
- US$ 2,59 bilhões investidos em iniciativas de equidade de gênero na África;
- Quase 40 milhões de pessoas alcançadas, com 1,24 milhão de beneficiárias diretas, principalmente mulheres e meninas;
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Ações voltadas para prevenção da violência de gênero, educação em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), acesso digital seguro e empoderamento econômico. Esses dados reforçam o impacto da aliança, mas também o tamanho do desafio — especialmente no combate ao ódio digital.
Masculinidades tóxicas no ambiente virtual
Um estudo do HeForShe Champion Movember mostra que 63% dos jovens homens nos EUA, Reino Unido e Austrália interagem com influenciadores que disseminam conteúdos sobre masculinidade — e 27% afirmam ter sofrido impactos negativos, como ansiedade, sentimento de inadequação e adesão a crenças antifeministas.
Outro levantamento, conduzido pela Team Lewis em apoio ao HeForShe, revela que 80% da Geração Z e 76% dos Millennials estão preocupados com a retórica sexista nas redes sociais. Esses números confirmam o que as mulheres já sentem na pele: a violência de gênero digital não é um fenômeno isolado, mas parte de uma estrutura global que tenta silenciar vozes femininas e reverter conquistas históricas.
Compromisso global pela segurança e igualdade

Em resposta, a Aliança HeForShe divulgou uma carta aberta conjunta, reafirmando o compromisso de engajar homens e meninos como aliados ativos na luta contra o ódio e a desinformação online. “Estamos cumprindo metas ousadas para uma liderança equilibrada, transformando normas no trabalho e desafiando o abuso digital.
Buscamos equidade salarial e recusamos participar de fóruns que excluem mulheres.Avançamos pela igualdade com ação, responsabilidade e transparência.” Declaração Conjunta dos Campeões HeForShe O documento reforça a necessidade de ações concretas — desde políticas públicas até códigos de conduta em plataformas digitais — para garantir que o progresso da igualdade de gênero se estenda também ao universo virtual.
O desafio de Pequim+30: não retroceder

O Relatório de Impacto 2025 da ONU Mulheres é claro: a igualdade de gênero não pode se limitar a leis ou discursos. É preciso enfrentar as novas formas de violência, que agora circulam em hashtags, comentários e algoritmos. Com a revisão Pequim+30, o mundo tem a oportunidade de reafirmar o compromisso com a equidade e de reconhecer que as redes sociais também são território político — onde se decide quem tem voz e quem é silenciado.

Fotos: Reprodução/Google
A ONU Mulheres e a Aliança HeForShe mostram que a transformação depende da ação conjunta: governos, empresas de tecnologia, educadores e sociedade civil precisam construir ecossistemas digitais seguros, inclusivos e éticos. No centro dessa transformação estão as mulheres e meninas, especialmente as que vivem em regiões vulneráveis, como a Amazônia, que enfrentam o duplo desafio da exclusão digital e da violência simbólica.
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Fonte: HeForShe Impact Report 2025 – UN Women
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