28 de Abril de 2026

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Internacional - 22/05/2022

Jornalista alemão se debruça sobre irracionalidade que conduziu Hitler do êxito ao fracasso durante o conflito

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Foto: Reprodução

Em Breve história da Segunda Guerra Mundial, jornalista alemão Ralf Georg Reuth traz narrativa concisa do conflito e explora como o comportamento ilógico de Hitler o levou do êxito ao fracasso

Autor de biografias de personagens centrais dos conflitos que culminaram no Holocausto, como o ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels e o general Erwin Rommel, o jornalista Ralf Georg Reuth voltou a se debruçar sobre o assunto em Breve história da Segunda Guerra Mundial, lançado originalmente na Alemanha em 2018, e que ganha edição brasileira agora, pela Todavia.

 

Dessa vez, ainda que percorra, em uma narrativa concisa e ágil, toda a cronologia dos fatos, da República de Weimar à capitulação do Japão, em setembro de 1945, Reuth concentra suas atenções na irracionalidade do principal perpetrador da guerra, Adolf Hitler. Para o escritor, esse aspecto da personalidade do Führer levou-lhe do êxito inicial a sua derrota, com a chegada das tropas aliadas à Normandia, na França, em junho de 1944, e o seu suicídio, em abril do ano seguinte, em seu bunker, em Berlim.

 

De acordo com Reuth, Hitler tinha, sim, uma estratégia para a guerra, mas ela era baseada “em conceitos completamente irracionais, como, por exemplo, a noção de que o mundo marchava em direção a um conflito entre raças, de que havia uma conspiração judaica e que os bolcheviques, os comunistas, constituíam a tropa do ‘mercado judaico’”, afirmou o autor à ISTOÉ.

 

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Ainda segundo Reuth, a falta de lógica de Hitler deu a ele uma vantagem nos primeiros anos do conflito porque, assim como seu principal rival ideológico, Josef Stalin, ele ignorava “as regras do jogo da realpolitik liberal e burguesa tradicional”, o que pegou de surpresa seus opositores. Porém, Hitler não era realista como o líder soviético.

 

“Ele teve êxito enquanto, aparentemente, estava apenas revidando o Tratado de Paz de Versalhes, de 1919, que fizera a Alemanha perder um sétimo de seu território, assim como parte importante de sua indústria”, avaliou. Para o autor, os países do Ocidente, sobretudo a Grã-Bretanha, fizeram uma política de apaziguamento, fruto de um peso na consciência daqueles que saíram vitoriosos da Primeira Guerra, o que permitiu Hitler seguir em frente. Ele remilitarizou a Renânia, onde o Rio Reno servia de barreira natural para uma eventual invasão da França pelos alemães. Rearmou o país. E finalmente anexou a Áustria e os Sudetos. Somente quando houve a invasão da Polônia ficou claro queo líder nazista queria mais. E então se começou a formar a coalição anti-Hitler, a que ele sucumbiu ao fim.

 

 

Reuth afirmou que a irracionalidade de Hitler se manifestou sobretudo quando ele decidiu atacar a União Soviética, no verão de 1941, dois anos após a assinatura do Pacto Germano-Soviético de Não-Agressão. As forças alemãs chegaram até Leningrado, atual São Petersburgo, mas a campanha nazista encontrou crescente resistência e teve o rigoroso inverno russo como um de seus principais inimigos. “Nenhum governante ou líder militar, com um pingo de racionalidade, estenderia, sem necessidade, uma guerra para dois frontes distintos”, argumentou Reuth. Sem que a Alemanha tivesse derrotado a Grã-Bretanha, o ataque aos soviéticos “foi pura irracionalidade”, que conduziu Hitler a uma derrota inevitável no front russo, em maio de 1945.

 

Autocratas

 

 

Para Reuth, é possível comparar Hitler a líderes com comportamentos disparatados e ilógicos da atualidade, mas num limite. “Acho que ele, em suas visões de uma conspiração internacional e sua paranoia persecutória, tinha uma característica única”, ponderou. Em autocratas dos dias de hoje, Reuth acredita ser possível também se observar uma retórica de vítima ou uma paranoia persecutória. Putin, por exemplo, sente-se ameaçado pela OTAN. Trump, pela “América de cor”, e Bolsonaro, pelo socialismo e “talvez também pelos movimentos ambientalistas”, disse.

 

Fotos: Reprodução

 
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O jornalista argumentou que é fundamental identifcar, nestes casos, até que ponto tudo não passa de mera propaganda para mobilizar seguidores. Ele ressaltou que Stalin foi um político absolutamente racional, para quem a ideologia era meramente um acessório. “Mas Hitler, ao contrário, foi conduzido por sua ideologia. Ele acreditava de modo inabalável numa ameaça mundial do ‘judaísmo internacional’ e do que ele considerava serem suas ferramentas, o mercado e o bolchevismo”, concluiu Reuth. 

 

Fonte: Revista IstoÉ

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