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Internacional - 20/05/2022

'Alma Viva', um olhar feminino sobre a bruxaria em Portugal

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Foto: Reprodução

A Patrulha da França sobrevoa o Palácio do Festival de Cannes em 18 de maio de 2022

Para seu primeiro longa-metragem, “Alma Viva”, apresentado em Cannes, a franco-portuguesa Cristèle Alves Meira tomou duas decisões arriscadas: falar de bruxaria e de mulheres em Portugal e dar o papel principal à sua filha de 11 anos.

 

Ambas as apostas funcionaram, já que o filme foi apresentado na 61ª Semana da Crítica, cujo júri costuma ver centenas de filmes antes de selecionar os que vão concorrer (11 este ano).

 

A particularidade da Semana da Crítica é acompanhar os primeiros filmes. Eles nos permitiram manter a confiança em nós mesmos, porque tem sido difícil”, explicou Alves Meira, 39 anos, em entrevista à AFP nesta quinta-feira(19).

 

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“Alma Viva” explica a relação especial entre uma avó portuguesa com fama de bruxa e a sua neta, Salomé, que tem poderes especiais, com todas as vantagens e perigos que isso acarreta.

 

A avó morre, presumivelmente de mau-olhado, e Salomé terá que lidar com sua peculiaridade sozinha.

 

Um episódio traumático 

 

 

O filme foi inspirado em um episódio que traumatizou Alves Meira aos 20 anos: com a morte da avó, na localidade de Trás-os-Montes, a família brigou pelos custos do funeral e da sepultura. O corpo não foi enterrado por dois anos.

 

A produção começa com imagens fortes: uma menina que dorme com a avó, que a ajuda a se vestir. Nudez, intimidade e aqueles poderes que podem ser transmitidos, mas nem sempre controlados.

 

“Demorei muito para aceitar essa questão. Achei que não tinha legitimidade, porque é fascinante, mas é assustador. Tenho medo de ser julgada”, explicou.

 

 

Mas a jovem cineasta, com apenas dois curtas-metragens no currículo, consegue transmitir segurança.

 

Os adultos gritam e brigam em torno de Salomé, enquanto ela fica calada e só pensa em como vingar a avó.

 

Tal como acontece com muitos primeiros longas-metragens, Alves Meira recorreu a atores não profissionais, na sua maioria residentes na cidade.

 

 

“Atores não profissionais são incríveis, porque alguns têm uma habilidade inata”, disse. E foi sua própria filha, Lua, que lhe pediu para desempenhar esse papel.

 

Alves Meira reconhece que o “casting” foi um processo que envolveu “muita responsabilidade”.

 

Outro filme em competição na Quinzena dos Realizadores, “El agua”, da espanhola Elena López Riera, trata de temas muito semelhantes.

 

Fotos: Reprodução

 

Em vez da terra, a questão central é um rio e sua relação com os moradores da cidade que atravessa, especialmente as mulheres.

 

“Há um interesse renovado, em todo caso, por rituais e tradições. Na verdade, estamos desencantados com esse mundo moderno, entramos em relações muito virtuais uns com os outros”, diz Alves Meira.

 

Os atores “se divertiram muito” filmando as cenas, inclusive o “mau” vizinho e inimigo da avó de Salomé, diz a diretora de “Alma Viva”.

 

Mas “foi possível porque é meu povo. São pessoas que confiam em mim e me viram nascer. Se eu quisesse fazer um filme sobre bruxaria na África, acho que não seria possível, não dessa forma”, explica.

 
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Quanto às bruxas… “Acredito nas minhas histórias. Preciso acreditar para falar sobre elas”, acrescenta.

 

Fonte: Revista IstoÉ 

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