Ao longo de quatro dias, 30 indígenas receberam orientações sobre como identificar e denunciar violações
É por meio da rima que o artista indígena Douglas Fernandes Lopes, 22 anos, promove a diversidade Guarani-Kaiowá. “A homofobia habita vários lugares: na escola, na rua, em casa. Ela se manifesta a qualquer hora e lugar”, conta o integrante da Aldeia Bororo, em Dourados (MS). “A gente sofre com preconceito e perseguições, principalmente quando a gente se assume para a sociedade – inclusive com ameaças de morte dentro das aldeias”, revela.
O jovem rapper de 22 anos foi um dos 30 indígenas LGBTQIA+ a participar da Oficina de Autoproteção e Educação Popular em Saúde e Direitos Humanos LGBTQIA+ que ocorreu entre quinta (21) e o último domingo (24), na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), parceira do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). A atividade visa formar lideranças locais para identificar e denunciar violações de direitos e construir um diagnóstico sobre violência contra pessoas LGBTQIA+ indígenas.
Durante quatro dias, ações de educação e conscientização sobre a prevenção e o combate à violência LGBTfóbica das comunidades Guarani Kaiowá buscaram fortalecer estratégias de autoproteção, utilizando linguagem clara e acessível, e respeitando as especificidades culturais.
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Os participantes receberam dicas de proteção sobre como identificar ameaças dentro e fora da comunidade; orientações para, sempre que possível, andar em grupos; ?evitar ingerir bebidas alcoólicas em ambientes desconhecidos; e ?construir uma rede de apoio na comunidade com aliados e pessoas LGBTQIA+. Leis e encaminhamentos ao Disque 100, canal do MDHC, também foram apresentadas.Um dos palestrantes, o coordenador do programa Bem Viver+ da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Wesley Lima, falou sobre o protocolo de autoproteção que inclui medidas de apoio psicológico e parcerias com grupos locais que possam ser acionados em situações de violações. “É fundamental que esse protocolo esteja conectado à realidade das aldeias indígenas do Mato Grosso do Sul”, afirma.
Troca de conhecimento

Fotos: Reprodução
Ao todo, os encontros contaram com a participação de dez formadores convidados. Entre as atividades realizadas, também estão palestras com representantes populares que dominam a temática religiosa tradicional e a história do povo Guarani-Kaiowá, rodas de diálogos com escutas das pessoas indígenas LGBTQIA+ e grupos de discussão.
As oficinas dão visibilidade à diversidade Guarani-Kaiowá e colocam em discussão um tema delicado e que, muitas vezes, tem tirado a vida de indígenas LGBTQIA+, aponta o coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Ponta Porã (MS), Tonico Benites. “O próprio movimento está aprendendo a fazer denúncias e a quem recorrer quando sofre ameaça”, aponta. “Essa atividade vem falar para os indígenas LGBTQIA+ que eles não estão sozinhos nessa luta”, reitera.
Violência e suicídio
Os territórios rurais e indígenas Guarani-Kaiowá sofre com altos índices de suicídio e diferentes formas de violência. De acordo com o relatório anual do Conselho Missionário Indigenista (Cimi) sobre a violência contra os povos indígenas, o número de casos de suicídios entre indígenas no Brasil passou de 115, em 2022, para 180, em 2023 – um aumento de 53%.
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A maioria das vítimas são homens de 20 a 59 anos. O Amazonas lidera entre os estados com as maiores taxas, com 66 registros, seguido do Mato Grosso do Sul, com 37, e de Roraima, com 19.
Fonte: com informações Agência Gov
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