MinC reafirma o papel da cultura no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial
Pela primeira vez na história, o Brasil celebra o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra como feriado nacional, um marco que reflete séculos de luta, resistência e protagonismo da população negra na construção do país. A oficialização pela Lei 14.759/23 simboliza um passo contundente na luta antirracista e no reconhecimento do papel central da cultura afro-brasileira na formação da identidade nacional.
Em um país onde o racismo ainda deixa suas marcas, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, destaca a relevância histórica da data, apontando que mesmo após 388 anos de escravidão e subjugação, a herança africana sobreviveu, resistiu e moldou a sociedade brasileira. Esta quarta-feira, 20 de novembro, será lembrada não apenas como uma comemoração, mas como um chamado à reflexão e à celebração da cultura negra, que pulsa nas artes, na música, na gastronomia, na literatura e em tantas outras expressões que dão alma ao Brasil.
No coração das celebrações, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas, é palco de manifestações artísticas, homenagens e rituais que exaltam a ancestralidade e a força da cultura negra. Ativistas, artistas e quilombolas unem-se em um movimento que transcende o simbolismo, reforçando o combate ao racismo e projetando um futuro onde a igualdade racial é mais que um ideal: é uma conquista em construção.
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Foto: Reprodução/Google
A campanha Cultura Negra Vive, lançada pelo Ministério da Cultura, amplifica essa mensagem, promovendo eventos e iniciativas em todo o país. Com ações afirmativas que vão desde o fomento a projetos culturais até a valorização do patrimônio de matriz africana, o Governo Federal demonstra um compromisso renovado em colocar a cultura negra no centro das políticas públicas.
Mariana Braga, assessora do MinC, reforça que a luta pela igualdade não é apenas representativa, mas estrutural. Entre os avanços, destaca-se o reconhecimento de expressões culturais como o Hip-Hop como patrimônio imaterial e o protagonismo de mulheres quilombolas na defesa de seus direitos intelectuais e culturais. Ao longo do mês, iniciativas como o projeto Vozes de Ébano e o espetáculo Minha Voz é Resistência ecoaram o grito de mulheres negras que transformam suas histórias em arte, resistência e inspiração.
Em outro gesto histórico, a reinserção de personalidades negras na galeria da Fundação Palmares homenageia figuras emblemáticas como Benedita da Silva, Elza Soares e Conceição Evaristo, esta última sendo a primeira escritora negra a ter seu acervo incorporado ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira. Cada ato reafirma a centralidade da cultura negra na narrativa brasileira, rompendo com tentativas de apagamento e consolidando sua posição como um pilar inabalável da nossa identidade.
Com o olhar voltado para o futuro, o Ministério da Cultura avança em programas como a Política Nacional Cultura Viva e o Programa Abdias Nascimento, que preservam e promovem o legado de comunidades negras e periféricas. Mais do que uma celebração, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra emerge como um símbolo de reparação, orgulho e transformação. É um grito coletivo que ressoa nas vozes daqueles que nunca deixaram de resistir e acreditar que um Brasil mais justo e igualitário é possível.
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