Estudo na Austrália mostra impacto da hiperêmese gravídica na saúde mental, nas relações e nas decisões sobre futuras gestações
A náusea intensa durante a gravidez vai muito além do que muitos conhecem como enjoo matinal. Uma pesquisa realizada com 289 mulheres australianas revelou que os sintomas da hiperêmese gravídica, condição marcada por episódios graves de vômito e mal-estar, podem ser tão debilitantes que afetam a saúde mental, a vida social e até as escolhas sobre a maternidade.
Mais da metade das entrevistadas disse que chegou a considerar interromper a gestação, enquanto nove em cada dez afirmaram ter pensado em não ter mais filhos. Para 62% delas, a experiência veio acompanhada de ansiedade ou depressão frequentes.
O estudo, publicado na revista PLOS One nesta quinta-feira (4/9), mostra que os efeitos da hiperêmese gravídica vão além do corpo.
As dificuldades relatadas incluem a perda de capacidade para trabalhar, cuidar de outros filhos, manter relacionamentos e até realizar atividades simples do dia a dia. A gravidade dos sintomas levou 37% das gestantes a pedir indução precoce do parto.Apesar da intensidade do problema, os medicamentos usados nem sempre trazem alívio. Apenas metade das mulheres avaliou os tratamentos como eficazes.
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Foto: Reprodução/Google
As terapias disponíveis foram avaliadas como úteis por parte das mulheres, mas muitas relataram efeitos colaterais que atrapalhavam o dia a dia, como sonolência, constipação e dificuldade de concentração. Em alguns casos, os sintomas adversos foram tão intensos que levaram pacientes a interromper o uso dos remédios.A fundadora da Hyperemesis Austrália, Caitlin Kay-Smith, que também assina o estudo, destaca a importância de maior sensibilidade no atendimento. “Muitas vezes, os sintomas das mulheres são descartados como parte normal da gravidez, quando na verdade elas estão vivenciando uma condição que pode mudar suas vidas. Precisamos adotar um cuidado que reconheça o impacto total da hiperêmese gravídica”, afirma.
Os pesquisadores defendem investimentos em novos estudos e em serviços de apoio para gestantes. “As mulheres querem ser ouvidas, acreditadas e tratadas com dignidade”, conclui Grzeskowiak.
Fonte: com informações Extra
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