Onda de frio incomum em julho foi a segunda em três meses na região, mas não muda tendência de aquecimento global, dizem cientistas.
Neste inverno, a Patagônia e o Cone Sul da América Latina enfrentam um frio severo, com temperaturas atingindo -15°C, um fenômeno meteorológico raro e extremo. A onda de frio congelou patos em lagoas e prendeu ovelhas em pilhas de neve, forçando equipes militares a fornecerem alimentos para os habitantes locais e os animais.
Esta é a segunda onda de frio em três meses na região, e o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina emitiu alerta meteorológico amarelo devido ao risco de danos e interrupções nas atividades diárias. Raúl Cordero, climatologista da Universidade de Santiago do Chile, adverte que essas temperaturas extremas podem persistir durante o inverno e que novas ondas de frio podem ocorrer.
A origem deste frio extremo está na chegada de ar frio da Antártida, causada pela fraqueza do vórtice polar, permitindo que massas de ar polar avancem para o norte. Cordero destaca que, embora improvável que essas ondas de frio afetem o clima global, as mudanças climáticas podem estar contribuindo para a fraqueza do vórtice polar, resultando em ondas de frio no Cone Sul. Ele observa que a atmosfera superior da Antártica registrou temperaturas recordes, enquanto áreas como Austrália e Nova Zelândia também podem enfrentar extremos climáticos, como ocorreu em 2014, quando Queensland, na Austrália, teve sua noite mais fria em 120 anos.
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Ovelha sofreram com as baixas temperaturas do último mês na Patagônia Argentina
(Foto: Ministério de Defesa da Argentina)
Apesar das imagens dramáticas de animais congelados, Cordero menciona que o frio extremo pode ter um impacto positivo local, retardando a perda de gelo nos campos de gelo da Patagônia, que cobrem mais de 10.000 quilômetros quadrados.
Embora algumas pesquisas sugiram que o aquecimento do Ártico possa causar ondas de frio intenso, como indicam estudos de 2012 e 2021 dos EUA, não há consenso científico sobre essa relação. James Screen, da Universidade de Exeter e colaborador do IPCC, argumenta que esses extremos são mais provavelmente explicados pela variabilidade natural.
Especialistas concordam que invernos como o da Patagônia se tornarão menos comuns se o CO2 continuar a aumentar. Screen e Cordero afirmam que as ondas de frio não mudarão a tendência de aquecimento global, que é uma elevação constante da temperatura média global. Ondas de frio são usadas por negacionistas do clima para defender suas posições, confundindo variações climáticas de curto prazo com tendências de longo prazo. Relatórios climáticos mostram que o Chile teve 2023 como o ano mais quente registrado desde 1961, com uma tendência de aumento de +0.15°C por década na temperatura média.
A tendência de aquecimento global é clara, e eventos de frio extremo, embora impactantes, não alteram essa realidade.
Fonte: com informações do g1
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