26 de Maio de 2026

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Saúde - 25/05/2026

Faça Bonito: FVS-RCP divulga boletim inédito sobre violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas

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Foto: Divulgação / FVS-RCP

Dados apontam crescimento progressivo das notificações entre 2021 e 2025, passando de 1.585 casos em 2021 para 3.164 registros em 2025

No âmbito da Campanha Nacional Faça Bonito, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) lança, nesta segunda-feira (25/05), o Boletim Epidemiológico da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Amazonas 2025. A publicação apresenta o panorama atualizado das notificações registradas no estado e reforça a importância da vigilância epidemiológica e da atuação integrada da rede de proteção no enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.

 

O levantamento aponta crescimento progressivo das notificações entre 2021 e 2025, passando de 1.585 casos em 2021 para 3.164 notificações em 2025, maior número da série histórica analisada. A taxa de prevalência chegou a 208,6 casos por 100 mil habitantes entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, o cenário também demonstra avanço na capacidade de identificação e acolhimento dos casos pelos serviços de saúde e pela rede de proteção.

 

“A ampliação das notificações representa um esforço conjunto de fortalecimento da vigilância, sensibilização dos profissionais e maior integração da rede de proteção. Isso significa que mais casos estão sendo identificados e encaminhados para atendimento, cuidado e garantia de direitos”, destacou a diretora-presidente. O boletim foi elaborado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DVE), por meio da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT) e da Coordenação Estadual de Vigilância das Violências e Acidentes (Viva), com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

 

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O diretor de vigilância epidemiológica da FVS-RCP, Alexsandro Melo, ressalta que os dados epidemiológicos são fundamentais para orientar ações estratégicas de prevenção e assistência. “Os dados permitem identificar territórios mais vulneráveis, padrões de ocorrência e fatores associados à violência sexual. Isso fortalece o planejamento das ações intersetoriais e contribui para respostas mais rápidas e qualificadas da rede de proteção”, comenta.

 

Perfil epidemiológico

 

Fotos: Divulgação / FVS-RCP

 

As notificações registradas em 2025 mostram predominância de casos envolvendo meninas, que representam 93,1% das notificações. A faixa etária de 10 a 14 anos concentrou 57,9% dos casos registrados no estado. O levantamento também evidencia predominância em crianças e adolescentes pardos, correspondendo a 79,8% dos registros, além de reforçar vulnerabilidades sociais e raciais relacionadas à exposição à violência sexual. Entre os municípios com maior número absoluto de notificações estão Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru. Já as maiores taxas proporcionais foram observadas em Tonantins, Tefé, Presidente Figueiredo e Coari.

 

O estupro de vulnerável aparece como o principal tipo de violência sexual notificado, representando 55,6% dos registros. O boletim também aponta que mais da metade das notificações indicava recorrência da violência, demonstrando a necessidade de fortalecimento das ações preventivas e da identificação precoce dos casos. Outro dado destacado no documento é que a residência permanece como principal local de ocorrência da violência sexual, concentrando 78,4% das notificações.

 

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Rede de proteção

 

O boletim também aponta avanço nos encaminhamentos realizados após as notificações, especialmente ao Conselho Tutelar, que concentrou 72,8% dos direcionamentos realizados pelos serviços de saúde. De acordo com a coordenadora estadual do Viva da FVS-RCP, Cassandra Torres, o fortalecimento da articulação entre saúde, assistência social, educação, a sociedade civil e os demais setores que compõem o Sistema de Garantia de Direitos é imprescindível para ampliar a proteção às crianças e adolescentes. “A vigilância epidemiológica tem papel estratégico para subsidiar políticas públicas e fortalecer ações de prevenção, acolhimento humanizado e proteção integral. O enfrentamento da violência sexual exige atuação contínua e integrada de toda a rede”, avalia. 

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