Todos os olhos estão no Irã, onde as mulheres, com valentia, querem ser livres
Hoje em dia, com a existência de redes sociais como Instagram e TikTok, é mais fácil perceber o que acontece no outro lado do mundo. Um exemplo claro são as manifestações que estão ocorrendo no Irã desde o final de 2025.
Desde que as demandas econômicas criaram um desafio direto ao sistema político teocrático, o Irã está vivendo um dos maiores e mais violentos ciclos de protestos em muito tempo. Basta considerar que as manifestações afetaram 31 províncias do país e mais de 100 cidades, além de que as mulheres estão desempenhando um papel crucial na luta.Os protestos começaram no final de dezembro depois de uma queda abrupta do rial iraniano [moeda local] e da inflação crescente, que diminuíram pelo alto custo de vida e pela deterioração das condições básicas de subsistência. O que inicialmente foi liderado por comerciantes no histórico Gran Bazar de Teerã, se estendeu por todo o país.
Tudo começou por razões econômicas. No entanto, com o passar do tempo, evoluiu para um movimento político mais amplo. A luta não é apenas para obter melhores condições econômicas, mas também para fazer mudanças radicais no sistema político e terminar uma década de ausência de representação social e política.
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As mulheres à frente das manifestações do Irã em 2026
Embora estes protestos não se limitem apenas às demandas do gênero, há de se lembrar que as mulheres iranianas assumiram um papel importante e crucial na linha de frente da luta. As mulheres iranianas não têm medo e estão saindo para a rua para mostrar seu descontentamento, através de diferentes ações.
Nas redes sociais, por exemplo, estão circulando imagens de mulheres usando fotos do líder supremo, Alí ??Jamenei, para acender cigarros. Elas viralizaram como símbolo de desafio direto à autoridade teocrática. Além disso, em diversas praças e ruas, muitas manifestantes retiraram seu hijabe e exibiram seu cabelo em público, um ato que vai além do protesto econômico e toca diretamente no controle estatal sobre a vida das mulheres.
A memória histórica das mulheres no Irã
Este movimento foi marcado em uma história recente de luta feminina por direitos básicos no Irã, que alcançou ressonância global após a morte de Mahsa Amini em 2022, sob a custódia da chamada ‘Polícia da Moralidade’, e que lançou o lema ‘Mulher, Vida, Liberdade’. Apesar da coragem e da resiliência, neste 2026, a resposta do governo foi forte e violenta:
As forças de segurança usaram munições reais, gases lacrimogêneos e detenções massivas contra os manifestantes. Foi implementado um apagão total de Internet e das comunicações por voz, bloqueando o fluxo de informações dentro e fora do país. Centenas de pessoas foram mortas e milhares foram presas segundo diferentes grupos internacionais de direitos humanos e relatórios periódicos.Além disso, foram documentados casos trágicos como o assassinato de Rubina Aminian, uma jovem estudante que foi morta a tiros durante um protesto em Teerã — um símbolo do alto custo humano dessas mobilizações.
Qual é a situação atual no Irã?

Fotos: Reprodução/Google
O descontentamento transcende a economia. Muitos dos manifestantes exigem não apenas melhorias nas condições econômicas, mas também uma mudança de sistema político e até mesmo o fim de símbolos associados à monarquia anterior à revolução de 1979.
O regime acusa os manifestantes de serem inspirados ou financiados por poderes estrangeiros, enquanto organizações de direitos humanos e ativistas sustentam que os manifestantes refletem uma ira genuína e ampliada pela falta de liberdades e o autoritarismo. Em janeiro de 2026, o Irã vive um momento crítico, onde a população —e especialmente as mulheres— está desafiando a autoridade política em meio de repressão intensa.
Aquele que começou como um protesto contra a crise econômica adquiriu um caráter mais profundo e político, com exigências de dignidade, liberdade e reformas estruturais. Se há algo certo é que o curso desses protestos ainda é incerto, mas seu impacto histórico já se sente em todo o país e também no mundo. Todos os olhos estão no Irã.
Fonte: com informações G1
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