Esse tipo de leitura ajuda na autodescoberta sexual e no prazer ao alimentar a criatividade e as fantasias, dizem especialistas
Segundo ela, as narrativas nas quais as mulheres são, além de protagonistas, participativas na troca sexual, facilitam a conexão entre personagem e leitora e ajudam a trazer à tona os desejos e fantasias mais profundos. Para Bruna Lima, psicóloga e pós-graduada em sexualidade humana, os contos eróticos ajudam a naturalizar para o público feminino o contexto sexual que, histórica e culturalmente, é restrito aos homens.
“Diferente do que acontece na pornografia, esses textos trazem situações e enredos próprios do desejo das mulheres, permitindo que, através da fantasia, elas se conectem com infinitas possibilidades e descubram o que as excita e provoca, ainda que sem efetivamente se expor às vivências narradas”, explica.
A masturbação, outro tabu que vem sendo cada vez mais desmitificado (felizmente), é uma prática de prazer que se beneficia desse tipo de leitura, como conta Bella Slanka, autora desse tipo de contos.“O estímulo da criatividade faz a gente se soltar mais, o que possibilita a descoberta de áreas erógenas e o entendimento de como cada uma gosta de ser tocada”, comenta.
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Quando escreve seus livros, Bella tenta causar uma provocação na leitura, colocando-a no lugar da personagem e incentivando-a a se enxergar como uma pessoa capaz de realizar as próprias fantasias. “Isso acontece comigo mesma. A cada conto que escrevo, percebo que as narrativas ajudam a me entender cada vez mais, entender o que me dá prazer e o que me deixa mais à vontade comigo mesma. É uma experiência que me conecta com o meu corpo, faz com que eu respeite meus limites”, diz.
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A exploração da própria intimidade é outro trunfo possibilitado pela literatura erótica: a mulher explora sua sensualidade corporal e depois pode levar esse aprendizado para suas relações sexuais com mais autonomia. “A autoestima sexual é isso, a mulher se conhecer, sentir-se segura com seu corpo (independentemente de padrões sociais) e ir para o sexo em busca de ter e proporcionar prazer, sem neuras nem preocupações com performance”, explica Carolina Freitas.
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“Os contos exploram a conexão entre as partes e suas descrições físicas, falando muito sobre diversidade, inclusive. Isso possibilita que algumas pessoas se reconheçam ali. Assim, através do personagem, se reflete sobre a própria vida e se buscam alternativas para potencializar não só o prazer, mas a autoestima”, acrescenta Bruna Lima.
A dois (ou mais) ou a sós?
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As psicólogas coincidem em que os contos eróticos são ótimos para momentos de autodescoberta sexual e prazer a sós, proporcionando autonomia e autoestima para a leitora. “Uma mulher bem resolvida sexualmente tem autoestima elevada, pois sabe como gosta de transar e verbaliza isso para sua parceria, se sente segura e livre para fazer o que gosta na hora do sexo”, diz Bella. No entanto, quando lidos com outra ou outras pessoas, eles podem estimular as fantasias no aqui e agora, provocando novos tipos de excitação e prazer.
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“O conto pode servir desde uma forma de autodescoberta como também um almanaque de experiências para o casal, oferecendo oportunidades para se inovar, seja se inspirando nas ações ou fazendo um roleplay com os personagens”, diz Bruna.
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Para ajudar nesse exercício de autodescoberta e criatividade, listamos abaixo algumas leituras gostosas e picantes:
Delta de Vênus– Anaïs Nin
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Prostitutas que satisfazem os mais estranhos desejos de seus clientes. Mulheres que se aventuram com desconhecidos para descobrir sua própria sexualidade. Triângulos amorosos e orgias. Modelos e artistas que se envolvem num misto de culto ao sexo e à beleza. Aristocratas excêntricos e homens que enlouquecem as mulheres. Esses são só alguns dos personagens dos contos eróticos de Delta de Vênus, escritos por Anaïs Nin nos anos 1940 sob encomenda de um misterioso cliente.
A Casa dos Budas Ditosos– João Ubaldo Ribeiro
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Um clássico da literatura erótica brasileira, A Casa dos Budas Ditosos foi lançado originalmente em 1999 como parte da coleção Plenos Pecados. O romance é, na verdade, uma espécie de depoimento de CLB, uma mulher (não sabemos se real ou fictícia) de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver (com todo o prazer e sem respingos de culpa) as infinitas possibilidades do sexo. As memórias de orgias, voyeurismo e sadismo dessa libertina são, nas palavras do próprio autor, um delicioso “olhar pela fechadura”.
Trópico de Câncer – Henry Miller
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O relato autobiográfico e, ao mesmo tempo, ficcional de Henry Miller foi publicado em 1934, em Paris, e imediatamente proibido em todos os países de língua inglesa. Nele, o autor conta suas aventuras entre prostitutas, cafetões e artistas pobres quando ele chega a Paris depois de abandonar um casamento e uma carreira arruinados nos Estados Unidos.Na França, o momento é de libertação: a vida boêmia da capital convida a muitos prazeres, com dias e noites de erotismo e alegria.
A Vida Sexual de Catherine M. – Catherine Millet
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O que faz com que uma respeitada crítica de arte decida abrir publicamente, com inédita crueza e sem qualquer máscara, os detalhes de sua movimentada vida sexual? Catherine descreve como depois de perder a virgindade aos 18 anos, começou sua carreira de serial lover, transando com vários homens ao mesmo tempo em lugares variados, clubes privados, à beira de estradas, bancos públicos, além de casas particulares , ela viveu fartamente o que se poderia chamar de ”sexo pelo sexo”, ou seja o sexo sem qualquer tipo de vínculo sentimental – o sexo numérico, consecutivo, anônimo, sem sem preâmbulos, sem romance, puro prazer. Com descrições precisas de cada cena, o livro também traz fotos também pouco reservadas feitas pela artista.
História do Olho– Georges Bataille
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Considerado a “expressão máxima do erotismo na literatura universal”, o texto de estreia de Georges Bataille conta as peripécias sexuais do jovem narrador e de sua amiga Simone: ambos vivem uma jornada de extravagâncias que envolvem sadismo, orgias e até loucura, culminando em um ato de transgressão.
Peça-me o Que Quiser – Megan Maxwell
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Primeiro volume de uma trilogia, Peça-me o que quiser é um romance sobre desejo, paixão e erotismo sem limites. O livro conta a história da secretária espanhola Judith Flores e seu chefe, o alemão Eric Zimmerman, um homem muito sério e com intensos olhos azuis, que sente uma atração instantânea pelo jeito divertido de Judith e exigirá que ela o acompanhe nas viagens de trabalho pela Espanha. Mesmo sabendo que a situação é arriscada, ela não resiste e vive com o chefe experiências sexuais até então inimagináveis, num universo de fantasias eróticas pouco convencionais.
CLIC – Milo Manara
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Esse clássico do quadrinho europeu conta as aventuras de Claudia Christiani, uma fina e recatada dama da alta sociedade. Sexualmente reprimida, ela é vítima das artimanhas do doutor Fez, seu admirador secreto e criador de um aparelho capaz de encher de luxúria até mesmo a mais fria das criaturas.O simples clicar de um botão desperta em Claudia uma insaciável libido, para o assombro de todos à sua volta. Refém dessa invenção insólita, Claudia precisa enfrentar seus desejos mais íntimos toda vez que o aparelho é acionado. A coleção completa, com quatro volumes.
A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade
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Fotos: Reprodução
Outro clássico da literatura erótica, A Filosofia na Alcova é uma obra em forma de diálogos que trata da educação sexual de uma jovem, apresentando, além do erotismo, posições ideológicas que ideias conservadores e as submissões de uma maneira geral. O romance se passa no quarto, onde a jovem Eugénie aprende as artes da libertinagem através do experiente Dolmancé e da senhora de Saint-Ange.
Fonte: Revista Cláudia
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