29 de Abril de 2026

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Colunistas - 06/03/2026

Clara Zetkin: a revolucionária que transformou o 8 de março em luta internacional

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

As manifestações exigiam direito ao voto, igualdade jurídica e melhores condições de trabalho para as mulheres.

Por Carla Martins - Clara Zetkin (1857–1933). Militante, jornalista e parlamentar, ela dedicou sua vida à defesa intransigente dos direitos das mulheres e da classe trabalhadora, enfrentando o patriarcado, o capitalismo e o avanço do nazifascismo com uma coragem que segue atual.

 

Foi Clara quem propôs a criação do Dia Internacional das Mulheres, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em 1910, em Copenhague, na Dinamarca. A proposta foi aprovada por unanimidade. No ano seguinte, a data já era celebrada em países como Alemanha, Áustria, Suíça e novamente na Dinamarca. As manifestações exigiam direito ao voto, igualdade jurídica e melhores condições de trabalho para as mulheres.

 

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Feminismo e luta de classes

 

 

Clara Zetkin, militante, jornalista e parlamentar, ela dedicou sua vida à

defesa dos direitos femininos, desafiou o patriarcado, o capitalismo

e o nazismo com ideias que seguem atuais


Clara foi pioneira ao defender que a luta das mulheres não poderia estar dissociada da luta de classes. Para ela, não bastava conquistar direitos individuais dentro de uma estrutura desigual — era preciso transformar a base econômica da sociedade. A emancipação feminina, em sua visão, só seria plena com a superação do capitalismo e a construção de uma sociedade socialista. Em seu ensaio mais conhecido, “A questão feminina e a luta de classes” (1899), escreveu a célebre frase:

 

“A mulher proletária luta ombro a ombro com o homem de sua classe contra a sociedade capitalista”

 

 

 

Ela criticava o chamado “feminismo burguês”, que, segundo sua análise, atendia prioritariamente às demandas das mulheres das classes altas, ignorando as operárias e trabalhadoras que viviam sob jornadas exaustivas e salários miseráveis.

 

Resistência ao nazismo

 


Aliada política de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, Clara participou da fundação do Partido Comunista da Alemanha (KPD). Rompeu com os social-democratas e assumiu uma postura radicalmente anticapitalista e feminista. nComo deputada no Parlamento Alemão — o Reichstag — tornou-se uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo político de tamanha relevância na Alemanha. Em 1932, aos 75 anos, por ser a parlamentar mais velha, presidiu a sessão de abertura do Reichstag e fez um discurso histórico denunciando o avanço do nazismo sob a liderança de Adolf Hitler. Mesmo com a saúde debilitada, sua voz ecoou como alerta contra o autoritarismo e a ameaça fascista que se consolidava no país.

 

Relação com a Revolução Russa

 

 

 


Clara Zetkin também manteve ligação direta com a Revolução Russa. Apoiante dos bolcheviques, aproximou-se politicamente de Vladimir Lênin e passou a atuar na Internacional Comunista (Comintern), organização criada para articular partidos comunistas em escala global. Ela viajou diversas vezes à União Soviética (URSS), onde elogiava políticas públicas como o direito ao divórcio, ao aborto legal, à educação e ao trabalho para as mulheres. Para Clara, essas medidas eram fundamentais para romper a dependência econômica feminina e garantir autonomia real.

 

Exílio e honras de Estado

 

 


Com a ascensão do nazismo, Clara se exilou em Moscou, onde morreu em 1933. Foi enterrada com honras de Estado junto ao Muro do Kremlin, em reconhecimento à sua importância para o movimento socialista internacional. Sua vida pessoal também desafiou convenções da época. Teve dois filhos com o revolucionário russo Ossip Zetkin, com quem viveu sem casamento formal, e mais tarde se casou com o artista alemão Georg Zundel, 18 anos mais jovem.

 

Um legado que atravessa gerações

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 
A produção intelectual de Clara é composta majoritariamente por artigos, discursos e ensaios. Entre os textos publicados no Brasil estão “A questão feminina e a luta de classes”, “O direito das mulheres” e “Revolução e contra-revolução: escritos e discursos”. Sua reflexão antecipou debates contemporâneos sobre feminização da pobreza, invisibilidade do trabalho doméstico e apropriação mercadológica do feminismo.Defendia creches públicas, licença-maternidade, igualdade salarial e políticas sociais que libertassem as mulheres do fardo exclusivo do cuidado.

 

Nos últimos anos de vida, concentrou energias na denúncia do fascismo e na defesa da unidade da esquerda contra o autoritarismo. Como jornalista, não posso deixar de registrar: Clara Zetkin não foi apenas uma figura histórica — foi uma mulher que compreendeu que direitos não se consolidam sem estrutura, que igualdade não se sustenta sem justiça social e que democracia não resiste sem enfrentamento firme ao extremismo. Em tempos em que discursos autoritários voltam a circular pelo mundo, revisitar sua trajetória é mais do que um exercício de memória — é um ato político. Clara foi uma voz à frente do seu tempo. E talvez por isso continue tão necessária.

 
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Fontes:
A questão feminina e a luta de classes – Clara Zetkin (1899)
Ensaio clássico do feminismo marxista que discute a relação entre emancipação feminina e luta de classes.
Internacional Comunista – Documentos e registros históricos do movimento socialista internacional.
Registros históricos sobre o discurso de Clara Zetkin no Reichstag em 1932, durante a ascensão do nazismo na Alemanha.
 

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