07 de Maio de 2026

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Mulher em pauta - 03/06/2024

Catharina Paraguaçu Índia Tupinambá desafiou preconceito, fundou Salvador/BA foi a primeira mulher alfabetizada no Brasil

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Foto: Reprodução Google

Primeira mulher a constituir família, em termos de civilização cristã ocidental, no Brasil

A corajosa Catarina Paraguaçu foi a primeira em muitos pontos: foi a primeira mulher alfabetizada do Brasil, a primeira mulher a ler e escrever em francês, quando acompanhou seu marido à França em 1526.

 

Nasceu na Bahia, supõe-se, em 1503 - 1583 Indígena Tupinambá, esposa do português Diogo Álvares Correia, o “Caramuru” e primeira mulher a constituir família, em termos de civilização cristã ocidental, no Brasil. Filha do cacique Itaparica que deu nome à ilha de Itaparica. Sua vida mudou depois que conheceu o português Diogo Álvares Correia, o Caramuru.

 

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A vida deste insólito personagem, indissoluvelmente associada à de sua esposa, a embarcação em que vinha Diogo, proveniente da Europa, naufragou no mar da Mariquita em 1510, no Rio Vermelho, Baía de Todos os Santos. Seus companheiros foram mortos pelos tupinambás, mas ele conseguiu sobreviver, por seu espírito animado e alegre, e porque dias após, disparou de forma certeira e mortal seu mosquete sobre uma ave e com isto amedrontou e encheu de admiração os indígenas, que assustados gritaram: Caramuru – que significa “ homem de Fogo”, ou algo assemelhado. A partir de então, passou a viver entre os tupinambás, com este nome, prestando-lhes grandes serviços, seja no campo de batalha como da mediação e arbitragem com outras tribos.

 

Seu marido prosperou no negócio da troca de pau-brasil por utensilios de ferro com os navegantes, expandindo a aldeia com índios de outras tribos vizinhas.

 

Os negócios de Caramuru progridem ao ponto de permitir uma viagem do casal para conhecer a França, no navio comandado por Jacques Cartier (futuro descobridor do Canadá). Na cidade de Rouen, a esposa do comandante, Catherine des Granches, foi sua madrinha de batismo, cujo registro na certidão recebeu o nome de Cararina do Brasil. Pouco depois adotou o nome Catarina Paraguaçu, pelo qual ficou conhecida e famosa em sua terra. A viagen permitiu-lhe não apenas o conhecinebto de outra cultura tão diferenciada da sua. Aprendeu também a lidar com os conceitos de família e negocios dos ocidentais. De volta ao Brasil, bem estabelecidos, criam filhos e ela passa a ajudar o marido nos negócios da colônia.

 

 

 

Em 1536 surge o português Francisco Pereira Coutinho com uma carta do rei de Portugal designando-o senhor das terras ali existentes. Conta a história (ou lenda) que o cacique Taparica comandou sua expulsão de volta a Portugal. Mais tarde, em 1548, o rei Dom João III reconhece Caramuru como autoridade naquelas plagas e pede-lhe apoio na instalação do governo-geral. Assim, Tomé de Souza vem para cá já instruido de manter boas relações com a familia Caramuru. Os filhos homens são alçados a postos de comando na organização do governo e as filhas são encaminhadas por Catarina a se casarem com os portugues recém chegados, indicados pelo governador.

 

A familia Caramuru passa a ter certa importância no, digamos, métier social da colônia. Uma das filhas, casada com o português Afonso Rodrigues, ficou conhecida por deununciar práticas de violência contra os índios e propor a criação de uma escola para as crianças. Chegou a escrever uma carta dirigida ao Padre Manoel da Nóbrega, pedindo que as crianças indígenas escravizadas, “sem conhecerem Deus, sem falarem a nossa língua e reduzidas a esqueletos“, fossem tratadas com dignidade.

 

O padre ficou comovido com o pedido e intercedeu junto a Coroa pedindo permissão para a criação de escolas para crianças indígenas. Mas a rainha Catarina de Bragança indeferiu o pedido. Desse modo, entrou para a história, junto com a mãe, como precursora na defesa dos direitos humanos. Seu nome -Madalena Caramuru- foi lembrado séculos depois (em 2001), em homenagem prestada pelos Correios num selo de R$ 0,55.

 

Em 1557, com o falecimento de Caramuru, Catarina herdou não apenas a fortuna, mas o poder adquirido pela família desde os primórdios da organização do governo colonial. Suas filhas casaram-se com colonos portugueses vindos com Martim Afonso de Sousa, dos quais descendem, entre outras famílias importantes, os Garcia d’Ávila. Quando o primeiro Governador-Geral, Tomé de Sousa, chegou à Bahia em 1549, Caramuru ainda vivia, assim como durante o governo de Duarte da Costa.

 

Fotos: Reprodução Google

 

Muitos a consideram a mãe do Brasil, porque junto com Caramuru começou a construir a cidade de Salvador. Catarina Paraguaçu faleceu em 1583 e legou todos seus bens aos beneditinos. Os restos mortais de Paraguaçu estão na Igreja e Abadia de Nossa Senhora da Graça, em Salvador.

 

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Com sua habilidade aprendida de seu povo Tupinambá e diplomacia aprendida com os europeus, passou a gerir os negócios da família, tiornando-se figura central na já afluente sociedade baiana. Sua atuação foi relevante no finanancimento de obras sociais e na fundação da Igreja da Graça. O casamento do neto de Catarina com o filho da família Garcia D’Avila resultou na construção da Casa do Castelo Garcia D’Avila, na Praia do Forte, considerado a primeira edificação portuguesa de arquitetura residencial militar no Brasil. Lá se encontra a Capela de São Pedro dos Rates, chamada hoje de Capela de Todos os Santos.

 

Fonte: com informações do Portal O Jornal 

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