A discussão ganhou destaque após o ator amazonense Adanilo, durante participação no programa ?É de Casa? da Rede Globo, referir-se ao fruto como castanha-da-Amazônia
Em um gesto que ecoa o orgulho e a identidade regional, o deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM) apresentou um Projeto de Lei (PL) que propõe a unificação da nomenclatura da castanha, fruto emblemático da região amazônica. O objetivo é oficializar o termo “castanha-da-Amazônia”, reforçando sua conexão com o bioma amazônico e promovendo a valorização do produto e da cadeia produtiva que dele depende.
A discussão ganhou destaque após o ator amazonense Adanilo, durante participação no programa “É de Casa” da Rede Globo, referir-se ao fruto como castanha-da-Amazônia. A fala gerou repercussão e abriu caminho para o debate sobre a nomenclatura, que historicamente oscila entre “castanha-do-Pará” e “castanha-do-Brasil”.
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A Proposta de Sinésio Campos
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Apresentado à Assembleia Legislativa do Amazonas em dezembro de 2024, o PL estabelece que todos os frutos, produtos e derivados da castanheira Bertholletia excelsa, quando produzidos no Amazonas, sejam denominados “castanha-da-Amazônia”. De acordo com Sinésio, a mudança corrige uma percepção equivocada de origem e promove uma visão mais ampla e inclusiva da região produtora.
“A Amazônia é uma grande produtora de castanha. Dados do IBGE de 2022 mostram que o Amazonas produziu mais de 14 mil toneladas, enquanto o Acre e o Pará produziram 9 mil e 8 mil toneladas, respectivamente. Este PL busca reconhecer a Amazônia como um todo, uma marca mundial de biodiversidade e riqueza cultural” afirmou o deputado em um vídeo divulgado em redes sociais.
Raízes Históricas e Contexto Atual
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A nomenclatura “castanha-do-Pará” remonta ao século XIX, quando Belém era o principal centro de escoamento do produto para o Brasil e o exterior. No entanto, com a descentralização das operações no século XX, outros estados da Amazônia passaram a ter papel relevante na produção e processamento do fruto. Apesar disso, a denominação regionalizada persistiu.
Em 1961, o Decreto Federal nº 51.209 estabeleceu a classificação oficial “Castanha do Brasil”, conhecida no mercado internacional como Brazil Nut ou Noix du Brésil. Contudo, a identificação popular com os estados produtores manteve a multiplicidade de termos.
Valorizando a Marca Amazônia
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A proposta de Sinésio Campos busca não apenas uniformizar a nomenclatura, mas também fortalecer a identidade da Amazônia como o grande berço da castanha. "O termo castanha-da-Amazônia é mais inclusivo e representa os nove estados que compõem a Amazônia brasileira. Além disso, reforça nossa presença nos mercados nacional e internacional como uma região que alia sustentabilidade e potencial econômico", defendeu o parlamentar.
O PL deverá ser debatido na Assembleia Legislativa após o recesso parlamentar, e já conta com amplo apoio popular, sobretudo entre produtores e ambientalistas, que veem na unificação do termo uma oportunidade para potencializar a imagem do produto amazônico no mercado global.
Um Fruto de Inúmeras Possibilidades

Fotos: Reprodução/Google
Rica em óleos e nutrientes, a castanha-da-Amazônia é considerada um superalimento e possui aplicações que vão desde a culinária à indústria de cosméticos. Seu cultivo e comercialização sustentáveis são essenciais para comunidades ribeirinhas e indígenas, que dependem do fruto como fonte de renda e subsistência.
A unificação da nomenclatura representa um passo significativo para solidificar a Amazônia como uma marca global de sustentabilidade e biodiversidade. Com a aprovação do PL, a castanha-da-Amazônia não será apenas um fruto da floresta, mas um símbolo de identidade e resistência, levando o nome da região para o mundo com ainda mais orgulho e reconhecimento.
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