17 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 09/03/2026

Breves considerações sobre os números da violência contra a mulher (1ª parte)

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Essa questão nos põe diante de outros desafios, que é o de envolver outros campos de luta no processo de emancipação da mulher.

Por Maria Santana Souza - Na primeira semana de março deste ano foram revelados novos dados sobre a violência contra a mulher no Brasil, coletados por organizações que monitoram o grave problema, diria até mesmo, o epidêmico problema social.

 

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado no dia 5, expõe o drama da violência contra as mulheres negras. Uma análise dos 5.729 registros oficiais de feminicídio, ocorridos de 2021 a 2024, mostrou que 62,6% das vítimas eram negras, enquanto 36,8% eram brancas.

 

Isso mostra que a violência de gênero não é desplugada da violência estrutural. A mulher negra é vítima por ser mulher e por negra. O racismo acompanha e dimensiona a violência de gênero. Essa questão nos põe diante de outros desafios, que é o de envolver outros campos de luta no processo de emancipação da mulher.

 

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O relatório também reafirma que a mulher dorme e mora com a violência ou já dormiu e já morou com o agressor. Nos casos de feminicídio, 59,4% são cometidos por companheiros, 21,3% por ex-companheiros e 10,2% por outros familiares. Os dados demonstram que, de cada dez feminicídios, oito foram praticados por homens que mantinham ou já tinham mantido vínculos afetivos íntimos com a vítima. Apenas 4,9% foram mortas por desconhecidos e 4,2% por outras pessoas conhecidas.

 

A mulher vem sendo assassinada por companheiro e ex-companheiro porque vem construindo autonomia de vida e o macho acha sua autoridade ameaçada. O Amazonas, onde a mulher é responsável por mais da metade dos lares, aparece acima da média nacional em mortes por feminicídio, segundo dados acadêmicos. Em 2025, foram 170 ocorrências de feminicídios tentados ou consumados, números muito diferentes dos dados oficiais.

 

 

 

Mesmo em se tratando de dados coletados e trabalhados por instituições acadêmicas e científicas, os próprios organizadores reconhecem que existem subnotificações, em razão da falta de pessoal para qualificar o crime. No interior dos estados brasileiros sequer existem delegacias da mulher.

 

Ainda em referência ao levantamento do FBSP, constatou-se que entre 2021 e 2024, homens foram responsáveis por 97% dos crimes de feminicídio. Isso demonstra que a sociedade criou um modelo masculino de poder, controle e posse. Trata-se de um problema estrutural, que precisa ser desconstruído e combatido tanto no campo da superestrutura como no da estrutura social.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

63% desses crimes ocorreram no ambiente doméstico, ou seja, na casa da vítima, e 19,2% em via pública. Podemos deduzir que o agressor está dentro de casa, desfrutando de relações afetivas, ou quando não mais tem essa relação, ele agride e mata a mulher na rua, visto ou filmado por muitas testemunhas.

 

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Para não sobrecarregar o leitor com tantos números e informações, continuaremos abordando o assunto no próximo artigo. Aguardo seus comentários, para através do diálogo ampliarmos a rede de proteção à mulher e de combate à violência de gênero.

 

Maria Santana Souza é empresária, jornalista e uma das maiores referências em ativismo feminino no Amazonas. Formada em Direito, começou sua carreira no jornalimo como editora do Portal do Zacarias. É uma das autoras da obra” Mulheres Interseccionalidades, Vivencias Amazônicas”, Idealizadora e Diretora executiva do Site” Mulher Amazônica e do Pod Cast “ Ela Pod. Maria Santana Souza tem popularizado as temáticas que envolvem as causas Femininas, desafios e conquistas. É autora de uma coletânea de artigos. Seu olhar afiado e seu discurso direto fizeram dela uma voz ativa no cenário das temáticas que envolvem as causas das Mulheres no Amazonas.

 

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