05 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Internacional - 23/08/2022

Angola se prepara para 'eleições mais disputadas da história' do país

Compartilhar:
Foto: Reprodução

Angola se prepara para escolher seu próximo presidente da República, entre oito candidatos

Mais de 14 milhões de angolanos são chamados às urnas nesta quarta-feira (24/08) em eleições consideradas pelos analistas como as mais disputadas da história do país, em que o principal embate deve se dar entre o partido governista Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a Unita, sigla que integra a coligação Frente Patriótica Unida (FPU).

 

Angola se prepara para escolher seu próximo presidente da República, entre oito candidatos, e também seus deputados da Assembleia Nacional. O atual presidente, José Lourenço, concorre à reeleição.

 

“Esta é, provavelmente, uma das campanhas eleitorais mais competitivas, mas, ao mesmo tempo, mais desiguais. Quando assistimos à Televisão Pública de Angola, vemos o tratamento desigual atribuído aos partidos da oposição e ao partido governista. Ao mesmo tempo, é uma campanha em que se verificou - sobretudo por parte do atual presidente - uma série de acusações e desrespeitos não só contra a oposição, mas também contra a sociedade civil”, destaca o cientista político angolano Nelson Domingos em entrevista à RFI.

 

Veja também

 

Quem é Daria Dugina, filha de guru de Putin morta em explosão de carro?

Maconha legalizada na Alemanha: governo prepara base de projeto de lei para cumprir promessa de campanha

 

Angola se prepara para “eleições mais disputadas da história” do país -  CartaCapital

 

Outras questões que marcam o pleito são as denúncias de fake news, mas também de um grande número de “eleitores fantasmas”. Partidos denunciam que existiriam mais de 2 milhões desse tipo de eleitor, e lançaram uma petição pública pedindo a “limpeza” dos registros de voto que estariam desatualizados.

 

“[...] há mortos que ainda aparecem nos registros eleitorais, há nomes duplicados, nomes de pessoas que aparecem em diferentes seções eleitorais. Em Cabinda (cidade a noroeste do país), por exemplo, o movimento cívico Mudei identificou que grande parte dos presidentes das mesas são governantes, outros são ligados à própria estrutura do partido e outros são militantes. Isso possibilita um controle absoluto da contagem e da produção dos resultados”, alerta o cientista político.

 

POB Brasil

 

Apoiadores de João Lourenço, presidente de Angola e candidato a reeleição pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).Foto: Julio PACHECO NTELA / AFP

 


Acusações de corrupção eleitoral surgem por parte de diferentes organizações não-governamentais, especialmente no que diz respeito à instrumentalização dos eleitores. Especialistas temem pela manipulação dos resultados e alertam para a pouca credibilidade das pesquisas de intenções de voto.


“Há a produção de sondagens, muito questionáveis, a começar por uma empresa chamada POB Brasil. Eu tomei o cuidado de verificar junto ao Tribunal Superior Eleitoral e em algumas entidades brasileiras, e esta instituição é desconhecida no Brasil. Ninguém sabe de onde surgiu nem como produziu esses resultados que dão uma vitória de 61% ao MPLA. Em contrapartida, os resultados verificados pelo movimento cívico Mudei, pelo AngoBarômetro e por outras instituições dão uma margem considerável de vitória de 53% a 59% para a Unita e a FPU, enquanto o MPLA oscila entre 20% e 30%”, explica Domingos.

 

Estas eleições terão mais de 2 mil observadores nacionais e internacionais. No entanto, as dificuldades para que estes observadores fossem credenciados, especialmente a nível nacional, geraram acusações contra a Comissão Nacional Eleitoral (CNE). O Observatório Eleitoral Angolano (OBEA) considerou que o atraso no credenciamento dos observadores internacionais poderia comprometer a transparência eleitoral.

 

Proveito político

 

Em Angola, milhares de pessoas se reúnem para último comício antes de  eleição

Fotos: Reprodução


A campanha eleitoral também fica marcada pela chegada, em Luanda, a apenas quatro dias das eleições, do corpo do ex-presidente José Eduardo dos Santos, falecido no último dia 8 de julho em Barcelona. Autoridades angolanas defendem que foram os tribunais espanhóis que definiram a data de repatriação do corpo, enquanto analistas consideram que o MPLA e o atual presidente, João Lourenço, tiraram proveito político desse regresso.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

"Se não houvesse aproveitamento político, não haveria tamanho empenho, tendo sido deslocada uma delegação do mais alto nível do Governo para negociar e exercer certa pressão [na Espanha]. Há relatos, inclusive, de tentativa de furto do cadáver para que fosse feita toda esta celebração antes das eleições. Se houve toda esta preocupação, é com o intuito de tirar algum tipo de proveito", avalia Nelson Domingos.

 

A campanha eleitoral em Angola foi oficialmente encerrada à meia-noite desta segunda-feira (22/08), marcando a reta final para a quinta eleição geral da história do país.

 

Fonte: Portal Opera Mundi

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.