Mulheres e crianças são 14 vezes mais propensas a morrerem em consequência de desastres ambientais; sem justiça de gênero não haverá justiça climática
Quando a professora Wangari Maathai se tornou a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, em 2004, concretizou para o mundo inteiro, por sua vida e legado, o vínculo inescapável entre liderança feminina e resiliência climática.
Seu discurso em Oslo foi poderoso, e destacou uma das facetas mais cruéis das mudanças climáticas. Embora as populações mais afetadas por desastres ambientais sejam as menos responsáveis pelas ações humanas que os causaram, elas são levadas a acreditar que por serem pobres, são também destituídas do conhecimento e habilidades para a resolução desafios.
A vida de Wangari Maathai é um testemunho à inverdade desta noção. Nascida em Nairóbi no Quênia, mobilizou milhões de mulheres rurais a plantar mais de 51milhões de árvores, combatendo a degradação ambiental e, ao mesmo tempo, gerando renda e autonomia para toda a comunidade. Ao dizer “quem planta uma árvore, planta esperança”, sintetizou de forma poética a ideia de que a justiça de gênero é parte da solução climática.
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Um estudo publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, em 2024, mostra que mulheres são,simultaneamente, as mais afetadas pelas mudanças climáticas e nossa melhor aposta na construção da resiliência climática. Mas, por qual motivo? Bem, o impacto das mudanças climáticas não é experimentado por todos da mesma forma. Se o risco é um produto da vulnerabilidade, multiplicada pelo perigo e pela exposição, logo populações mais expostas e vulneráveis carregam desproporcionalmente esses impactos.
É por isso que mulheres e crianças, como nos diz o mesmo estudo da UNESCO, são 14 vezes maispropensas a morrerem em consequência de desastres ambientais, em comparação aos homens. Isto acontece principalmente devido à pobreza, restrições de mobilidade e circunstâncias sociais que limitam sua capacidade de reagir a eventos extremos.
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Fotos: Reprodução/Google
Mulheres de comunidades indígenas, rurais, ribeirinhas e periféricas enfrentam impactos agravados das mudanças climáticas por estarem na intersecção entre pobreza, exclusão territorial e invisibilidade política. O pior é que essa mesma invisibilidade política somada à sub-representação nas instâncias de decisão sobre investimentos e aplicação de recursos, resultam em uma equação nada equânime.
Mary Robins, em seu livro Climate Justice, nos fala que as mais afetadas recebem as menores parcelas de recursos destinados ao alívio das crises humanitárias, que inevitavelmente são deflagradas em cenários de crise. As mulheres são também, como demonstra a professora Maathai, protagonistas na adaptação e mitigação climática, liderando iniciativas comunitárias, agroecológicas, de gestão da água e defesa ambiental.
É nesse papel que devemos reconhecê-las, além de colocá-las no centro das discussões de políticas nacionais e supranacionais, bem como nos fóruns sobre financiamentos para apoiá-las nesses papéis. Não precisamos ir longe para encontrar exemplos de mulheres na linha de frente da implementação de soluções fundamentadas em conhecimento territorial, respeito aos saberes ancestrais e potencial de inovação.
Fonte: com informações Portal Exame
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