O elevado endividamento das famílias também impacta o desempenho do comércio.
As vendas do comércio varejista restrito recuaram 0,1% em junho de 2025, abaixo das projeções do mercado. Foi a terceira queda consecutiva das vendas do comércio. Com isso, o setor apresentou uma alta de 0,1% no segundo trimestre e de 1,8% no acumulado do ano.
Esta perda de tração reflete, parcialmente, um processo de acomodação após o desempenho mais aquecido observado no início do ano, mas também evidencia os efeitos do aperto monetário e seus impactos sobre o crédito, analisa Rafael Perez, economista da Suno Research. O elevado endividamento das famílias também impacta o desempenho do comércio.
Na passagem de maio para junho de 2025, cinco das oito atividades tiveram desempenho negativo no comércio varejista: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,5%), Móveis e eletrodomésticos (-1,2%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,9%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%). Já Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,0%), Tecidos, vestuário e calçados (0,5%) e Combustíveis e lubrificantes (0,3%), tiveram crescimento.
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No caso do varejo ampliado, que inclui veículos, motos e materiais de construção e que depende ainda mais do crédito, houve uma queda de 2,5% em junho e uma retração de 1,7% no segundo trimestre. O desempenho no mês foi influenciado pelos resultados negativos em vendas de veículos e motos (-1,8%) e material de construção (-2,6%). Mesmo com este resultado, Perez analisa que a resiliência do mercado de trabalho, os estímulos do governo, o pagamento de precatórios em julho e a valorização recente do real devem mitigar os impactos negativos sobre o consumo e a renda no segundo semestre.
– A expectativa é de que o segmento mantenha crescimento, porém em ritmo mais lento, à medida que a desaceleração econômica se torne mais disseminada. Diante desse cenário, projetamos um crescimento de 0,5% no PIB no 2T25 e uma expansão próxima da estabilidade no segundo semestre, quando devemos sentir com mais força os efeitos defasados da política monetária restritiva.

Fotos: Reprodução/Google
Igor Cadilhac, economista do PicPay, é da mesma opinião. Segundo ele, haverá desaceleração no ritmo de expansão do comércio, por conta da retirada dos estímulos fiscais e de crédito, além dos efeitos ainda presentes da inflação e dos juros elevados. Mesmo assim, a perda de dinamismo será relativamente moderada.
– Fatores como o mercado de trabalho aquecido e a massa salarial ainda robusta devem continuar sustentando o consumo das famílias. Mantemos, assim, a projeção de crescimento de 2% para o setor em 2025.
Fonte: com informações O Globo
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