As declarações respingam até na família. Bolsonaro disse que a caçula só nasceu menina porque ele deu uma fraquejada.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) classifica a relação com o eleitorado feminino como "ponto de atenção" e diz que a estratégia para reverter a rejeição já está em curso.
O que aconteceu
A equipe se preparou para aproveitar o Mês da Mulher. Foi produzido material para atacar Lula e tentar atrair a atenção de diferentes perfis femininos, indo das classes C e D até as progressistas independentes. A pré-campanha usa o adjetivo "enorme" para mensurar a rejeição das mulheres. Por este motivo, o trabalho começou oito meses antes das eleições. O caminho escolhido foi o das redes sociais. O esforço carece do principal rosto feminino da direita: Michelle Bolsonaro (PL-DF). Integrantes do PL não escondem que o engajamento dela ajudaria a diminuir a rejeição com esta parte do eleitorado. Mas a ex-primeira-dama não declarou apoio a Flávio até o momento.
Flávio carrega para eleição a pecha machista que recai sobre o bolsonarismo. A reputação é consequência de frases e atitudes de Jair Bolsonaro. Situações como dizer que uma mulher é feia e não merece ser estuprada. As declarações respingam até na família. Bolsonaro disse que a caçula só nasceu menina porque ele deu uma fraquejada.
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Os perfis visados
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A série de posts está dividida em quatro frentes. Fernanda, mulher de Flávio, entrou na força-tarefa e aparece com frequência nos perfis do pré-candidato. Elencar falas infelizes de Lula é uma das diretrizes. Na semana que antecedeu ao Dia da Mulher, Flávio levou às redes um vídeo com nove falas machistas e misóginas do presidente. Foram lembrados casos como ele dizer que bater em mulher não é um problema se o agressor for corintiano. A falta de creches serviu para acenar a mães das classes C e D. Flávio abre a segunda frente de atuação fazendo um discurso de empoderamento feminino. Ele afirma que é errado uma mãe ter de escolher entre cuidar dos filhos pequenos ou trabalhar.
A mensagem do vídeo é independência. O senador afirma que é um dever do governo permitir que a mulher tenha com quem deixar os filhos para conseguir estudar e trabalhar. O post é considerado um sucesso. Ele obteve 1,7 milhão de visualizações somente no Instagram, número considerado alto para as redes do pré-candidato. O engajamento, somando likes, compartilhamentos e comentários, passou de 3 milhões. As progressistas também mereceram uma peça. Uma linha do tempo foi montada elencando mulheres pioneiras. Maria da Penha e a primeira parlamentar negra do país foram citadas.

O perfil buscado nesta terceira frente é bem específico. Trata-se da mulher que reclama do machismo presente na sociedade, mas não se vê representada pelo feminismo da esquerda. A linha do tempo termina contemplando a direita e exibe imagens de Michelle Bolsonaro e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). No último vídeo, Flávio falou para sua "bolha". O candidato conservador apareceu diante da família. No texto, o senador conta como a mãe, a mulher e as filhas moldaram sua visão de mundo. O perfil família também apareceu no post do aniversário da filha, feito em fevereiro. Fernanda está aparecendo com frequência nos perfis do senador. Na viagem ao Chile, na última semana, o pré-candidato elogiou a beleza da mulher.
Idosos e jovens sob estudos
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Fotos: Reprodução
As pesquisas mostraram que a esquerda tem maioria no eleitorado de terceira idade. Diante da situação, a equipe de Flávio está estudando as demandas desta faixa etária para traçar uma estratégia específica. Com os jovens, a direita é maioria, mas não tem votos. O time do pré-candidato faz pesquisas para saber se o Pé-de-Meia ou outro programa levou eleitores com menos de 18 anos e perfil liberal conservador a optar por Lula. Intenção é entender a origem da perda de votos jovens. Com as pesquisas nas mãos, o passo seguinte será o de formatar propostas para obter a maioria do eleitorado desta faixa etária.
Fonte: com informações Uol
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