Segundo a PF, o grupo criminoso demonstrava alto grau de organização: usava empresas de fachada, criava rotas de deslocamento entre Brasil e Europa, montava uma rede de aliciadores no país e recebia apoio logístico na Espanha.
A Polícia Federal deflagrou, na quarta-feira, 10, a Operação Alícia, considerada uma das maiores ações recentes de combate ao tráfico internacional de pessoas no Brasil. A investigação revelou uma organização criminosa altamente estruturada que recrutava mulheres brasileiras, enviava-as para a Europa e as submetia, especialmente na Espanha, a condições degradantes, ameaças e coerção para fins de exploração s3xual.
O grupo teria lucrado cerca de R$ 40 milhões com o esquema.
A quadrilha atuava de forma semelhante ao modus operandi de máfias internacionais: prometia empregos bem remunerados, facilitava passagens, hospedagem e transporte, mas, ao chegarem à Europa, as vítimas tinham documentos retidos, eram ameaçadas e obrigadas a cumprir jornadas exaustivas sob vigilância. Muitas eram mantidas em cárcere e impedidas de pedir ajuda. A investigação revelou que mulheres chegavam a trabalhar mais de 12 horas por dia e eram punidas caso tentassem fugir.
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Por determinação judicial, atendendo a pedido da PF, valores e bens ligados à quadrilha foram bloqueados para impedir movimentações financeiras e ocultação de patrimônio. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e oito mandados de prisão, todos expedidos pela 2ª
Vara Criminal Federal de São Paulo, além de apreensões em endereços estratégicos ligados ao grupo. A operação aconteceu simultaneamente em São Paulo, São Pedro, Jundiaí, Ubatuba e Rio das Ostras (RJ). Com apoio da Interpol e da Polícia Nacional da Espanha, outras prisões foram efetuadas na região de Álava, território espanhol onde parte das vítimas estava sendo mantida. A cooperação internacional teve participação direta do Centro Especializado de Combate ao Tráfico de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes da Ameripol, reforçando a gravidade e o alcance transnacional da quadrilha.
O caso já vinha sendo monitorado há meses. Em junho deste ano, autoridades espanholas haviam resgatado 33 mulheres que eram exploradas pelo mesmo grupo. Dessas, 28 eram brasileiras. Relatórios internacionais apontam que as vítimas viviam em condições sub-humanas, sem acesso livre a comunicação, restritas a locais de exploração e sob ameaças constantes. Muitas tinham famílias no Brasil igualmente ameaçadas caso tentassem denunciar ou fugir.

Fotos: Reprodução/Google
Segundo a PF, o grupo criminoso demonstrava alto grau de organização: usava empresas de fachada, criava rotas de deslocamento entre Brasil e Europa, montava uma rede de aliciadores no país e recebia apoio logístico na Espanha. Além disso, utilizava técnicas de manipulação emocional e psicológica para convencer vítimas a viajar, frequentemente apresentando promessas falsas de emprego na área de estética, hotelaria ou entretenimento.
Autoridades reforçam que o tráfico internacional de pessoas é um crime silencioso e complexo, movido por redes transnacionais que exploram vulnerabilidades socioeconômicas. Mulheres jovens, de baixa renda ou buscando oportunidades no exterior, tornam-se alvos fáceis dessa modalidade criminosa. A Operação Alícia representa um avanço significativo no combate ao crime, mas também revela o tamanho do desafio enfrentado por instituições brasileiras e internacionais.
A Polícia Federal continuará as investigações para identificar outros envolvidos, possíveis ramificações da quadrilha e novas vítimas. A expectativa é que mais mulheres venham a público após a repercussão da operação, já que o medo imposto pela organização era um dos principais fatores que silenciavam denúncias. O Ministério da Justiça reforçou que vítimas de tráfico de pessoas podem buscar ajuda por meio do Disque 100, do Ligue 180 e dos postos de atendimento especializados espalhados pelo país. A colaboração da sociedade é essencial para identificar novas rotas de exploração e impedir que mais brasileiras sejam capturadas por redes criminosas que atuam dentro e fora do país.
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