Não podemos deixar de mencionar o momento doloroso que o Brasil atravessa, com riscos crescentes à integridade dos nossos biomas.
Propor este tema é necessário, importante e urgente. Vivemos um tempo marcado por crises climáticas em escala global: incêndios de grandes proporções em Los Angeles, Califórnia (2025); ondas de calor extremas na Europa (2024); no Brasil, chuvas intensas deixaram milhares de pessoas desabrigadas e sem energia elétrica no RS (2024); aqui no Amazonas, uma seca histórica isolou inúmeras famílias em suas comunidades (2024).
Diante desse cenário, discutir o papel das mulheres na manutenção da vida no planeta, especialmente na proteção da floresta Amazônica, com seus rios, lagos e biodiversidade, é um chamado urgente, sobretudo frente ao avanço de projetos predatórios liderados, em sua maioria, por homens brancos que visam destruir os nossos territórios. Não podemos deixar de mencionar o momento doloroso que o Brasil atravessa, com riscos crescentes à integridade dos nossos biomas.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 364/2019, por exemplo, caso aprovada, poderá causar a devastação de cerca de 42 milhões de hectares de áreas naturais. Segundo nota técnica da SOS Mata Atlântica, a medida impactaria aproximadamente 50% do Pantanal (7,4 milhões de hectares), 32% dos Pampas (6,3 milhões de hectares), 7% do Cerrado (13,9 milhões de hectares) e, na Amazônia, até 15 milhões de hectares. Trata-se de um retrocesso estarrecedor. Como nos alerta um provérbio indígena: “Somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro.”
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Em contrapartida a essa lógica destrutiva imposta por políticos e empresários distantes das realidades dos territórios, em seus gabinetes, estão as mulheres da floresta. Elas e seus povos se tornaram guardiãs da vida, protagonistas da preservação ambiental. São essas pessoas nas suas comunidades que mantêm a floresta em pé. Durante minha pesquisa de mestrado e nos 12 anos de atuação no grupo de pesquisa Educação, Feminismos e Amazônia – EduAmazônia, investigamos a vida de mulheres no Médio Solimões, Amazonas.

Elas vivem em comunidades e aldeias onde cuidam dos rios, dos animais silvestres, das plantas medicinais, dos peixes — da própria floresta. Se não fossem essas guardiãs, o “homem branco” já teria destruído tudo, pois, quando caça, pesca ou derruba árvores, não o faz para sua subsistência, mas por lucro. Em uma das muitas conversas durante a pesquisa, uma mulher disse: “A floresta é minha vida. Tanto ela me dá, como comida e remédio, quanto eu cuido dela.” Essa fala revela uma relação profunda de troca, de cuidado mútuo e de afeto: floresta e mulher como uma só existência.

E Como reforça um estudo do Instituto Socioambiental (ISA): “As florestas dependem das pessoas, assim como as pessoas dependem das florestas.” A pesquisa comprova, com dados, o papel essencial dos Povos Indígenas e Tradicionais como verdadeiros guardiões das florestas brasileiras. Por fim, reafirmamos: os verdadeiros guardiões da floresta são as mulheres e seus povos. Elas carregam a ancestralidade do cuidado, da luta e da resistência desde a invasão do Brasil em 1500. São povos que seguem tentando existir e resistir. Porque, ao exterminar as florestas e secar os rios, também se exterminam os povos que deles fazem parte — pois são inseparáveis.
Fonte: Com informações aspensadoras
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