06 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Mulher em pauta - 20/10/2024

Outubro Rosa: tattoos transformam vida de mulheres com câncer de mama

Compartilhar:
Foto: Reprodução Google

Por ano, são estimados 20.470 casos de câncer de mama em SP. Tatuagens e reconstruções são opções para mulheres resgatarem a autoestima

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, são estimados 73.610 novos casos de câncer de mama em cada ano do triênio entre 2023 e 2025. No estado de São Paulo, são estimados 20.470 novos casos nesse período. Para além da reconstrução da mama, muitas das mulheres que enfrentam a doença optam por fazer tatuagens de desenhos no seio ou até mesmo micropigmentação de aréola após a cirurgia.

 

Artista plástica, Stella Nanni decidiu fazer, em 2015, um curso de tatuagem ao lado de seu filho. Juntos, os dois montaram um estúdio em Campinas, no interior de São Paulo. Vinda de uma família com muitos médicos, ela sempre quis descobrir um meio de ajudar as pessoas por meio da arte. “E a gente [ela e o filho] se encontrou nesse projeto de cobertura de cicatriz”, contou.

 

“Não é só uma sessão de tatuagem, é uma transformação de vida”, relatou a tatuadora ao Metrópoles. O estalo que a fez focar também em mulheres com câncer de mama veio depois de uma tia, que teve a doença e, após muitos anos, quis fazer uma reconstrução dos seios. “Ela deu um relato falando que nunca imaginou como uma tatuagem ia mudar a vida dela e, nesse momento, eu e meu filho nos olhamos e falamos: ‘é isso, faz todo o sentido agora’”, disse, se referindo à tia.

 

Veja também

 

Yacy Derzi: Uma Voz Ativa na Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa no Amazonas

OUTUBRO ROSA: Precisamos falar também sobre cuidados que a Mulher deve ter com a Violência Familiar e Doméstica

 

 

Além do estúdio que fica em Campinas, Stella e o filho também criaram um projeto móvel. Com o “Truck”, eles conseguem viajar e atender um número maior de pessoas. Os dois chegaram a fazer uma turnê pela América do Sul, que passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, Punta del Este e Colonia del Sacramento, no Uruguai, e Buenos Aires, na Argentina.

 

Em 2022, mãe e filho fizeram uma viagem que passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. “A gente tatuou mais de 90 mulheres só nessa turnê”, revelou. Após o tour, eles foram convidados a dar um seminário sobre reconstrução de aréola e mamilo na Escola Europeia de Tatuagem, em Barcelona.

 

Como funciona

 

 

Stella explicou que a maioria das mulheres que tiveram câncer de mama perdem um pouco a sensibilidade, então é possível que a dor seja mais tranquila. Ela e o filho criaram um método chamado “Nanni Ink”, no qual observam exatamente como aplicar a tinta em cada um dos casos. Ela contou que, por exemplo, uma pele que recebeu muita radioterapia fica um pouco mais fibrosa, então é mais difícil de fazer a aplicação.

 

Nos casos em que as mulheres que tiveram câncer de mama fazem a tatuagem para a reconstrução do mamilo, há um processo para fazer acertar a cor da aréola. Algumas mulheres só tiram um lado do seio, então a tatuadora “imita” a cor do outro lado, com tintas em cores em variados tons de pele. Quando não há aréola nem mamilo em nenhum dos lados, ela cria a cor com base na tonalidade da pele da pessoa.

 

Só se pode fazer a tatuagem um ano depois da reconstrução e de todas as cirurgias necessárias. Além disso, a mulher não pode estar mais em tratamento médico.

 

Relatos

 

 

Stella contou ao Metrópoles sobre os dois casos que mais a marcaram entre os trabalhos que já realizou. Ela contou sobre uma mulher que, logo após ter feito a reconstrução, saiu do estúdio e a primeira coisa que fez foi comprar um espelho. “Ela não tinha espelho em casa, fazia cinco anos que ela não conseguia se olhar no espelho”, contou a tatuadora. “Para a gente, é super emocionante imaginar a mudança na vida [das pessoas]”, relatou.

 

Outro caso que foi marcante foio de uma mulher que, ao chegar no estúdio, estava toda fechada, mal falava, não quis dar depoimento nem falar nada. Ela fez tatuagens florais nas duas mamas da mulher, com desenhos que deixavam mais harmônico e amenizavam a diferença de altura entre um seio e outro. Segundo Nanni, a moça estaria pensando em tirar sua vida, não conseguia se olhar no espelho, não tinha mais alegria, nem autoestima ou autoconfiança.

 

“Na hora que acabou a tatuagem, quando ela se viu no espelho, abriu os braços, sorriu e ficou outra pessoa completamente, ela disse que estava se sentindo linda e que queria viver”, contou a profissional. “Se a gente consegue fazer a diferença em uma vida de um jeito tão fundo que a pessoa volte a ter alegria de viver, isso não tem preço. Isso compensa tudo.”

 

Dermopigmentação

 

 

Formada em administração de empresas, a esteticista Aline Maris decidiu mudar de carreira em 2022 e se tornou especialista em dermopigmentação paramédica. Com muitos parentes que fazem tratamento para câncer e por ela própria conviver com nódulos mamários, a esteticista relata que sempre teve uma “conexão” com a doença.

 

“Quando conheci e aprendi a técnica de reconstrução e harmonização das aréolas, senti que poderia transformar essas vivências pessoais em algo poderoso e positivo para outras mulheres”, disse.

 

Aline faz trabalhos voluntários para mulheres que passaram pelo câncer de mama. Ela participa da ONG Vilma Kano, em São Paulo, e do Instituto Doses de Amor, em Guarulhos, na região metropolitana. Através dos procedimentos que realiza, Aline busca ajudar mulheres a recuperar sua autoestima e confiança.

 

Cirurgia de reconstrução

 

 

Sabrina Khalil é cirurgiã plástica desde 2011 e, desde o início de sua carreira, se especializou na reconstrução mamária para mulheres com câncer. Para ela, a possibilidade de restaurar a autoestima e qualidade de vida dessas mulheres sempre a atraiu. “É uma área que vai além da estética, tem um impacto emocional e psicológico profundo”, afirmou.

 

A médica realizou sua primeira reconstrução de mama em 2014 e relatou que foi um momento marcante em sua carreira, por ver o impacto positivo no bem-estar da paciente e por poder proporcionar a ela a chance de se sentir completa novamente.

 

“Uma paciente, ao se olhar no espelho após a reconstrução, disse que finalmente se reconhecia novamente. Isso me lembrou do impacto que essas cirurgias têm, não apenas no físico, mas na alma de quem passa por esse processo”, contou ao Metrópoles.

 

Como funciona

 

 

Segundo Sabrina, o processo envolve diferentes técnicas, que podem variar conforme o caso. Com o avanço da medicina, ela afirma que os métodos de hoje são menos invasivos e o desconforto é minimizado. Porém, como qualquer cirurgia, há o período de recuperação, que não é fácil.

 

Após fazerem a cirurgia de reconstrução da mama, muitas pacientes optam por fazer a micropigmentação da aréola, que é um procedimento simples e que traz ainda mais naturalidade ao resultado. “Isso ajuda na recuperação emocional e na sensação de normalidade”, disse.

 

Para realizar o procedimento, cada caso precisa ser avaliado individualmente. É preciso considerar o tipo de câncer, o estágio da doença e as condições de saúde da paciente. Khalil sempre faz questão de discutir todas as opções com a paciente para garantir a escolha mais adequada.

 

Fotos: Reprodução Google

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Ela ressaltou que a reconstrução não restaura a função original da mama, como, por exemplo, a amamentação, mas que o procedimento vai muito além da estética. Para Sabrina, ele tem um papel crucial na recuperação emocional e psicológica das mulheres que travam a batalha contra o câncer de mama.

 

Fonte: com informações do Portal Metrópoles 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.