30 de Abril de 2026

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Internacional - 21/11/2025

O Safári Humano de Sarajevo: Italianos teriam pagado para matar civis na Guerra dos Balcãs

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Foto: Reprodução/Google

Naquele período, a capital Bósnia viveu um dos cercos mais longos e traumáticos da história recente, com civis frequentemente alvejados por franco-atiradores posicionados nas colinas que cercam a cidade.

Uma nova investigação conduzida pela Procuradoria de Milão reacendeu um dos capítulos mais sombrios da Guerra da Bósnia: a acusação de que cidadãos italianos ricos teriam pago para participar de um suposto “safári humano” durante o cerco de Sarajevo (1992–1996). Naquele período, a capital Bósnia viveu um dos cercos mais longos e traumáticos da história recente, com civis frequentemente alvejados por franco-atiradores posicionados nas colinas que cercam a cidade.

 

Segundo informações divulgadas pelo El País, um ex-agente de inteligência da Bósnia relatou que, ainda em 1993, autoridades italianas teriam sido alertadas sobre a chegada de estrangeiros à região para participar dessas atividades macabras. As denúncias apontam que indivíduos abastados teriam pago entre 90 mil e 116 mil dólares para atirar em civis — com valores supostamente ainda maiores para disparos contra crianças. A rota descrita incluía encontro prévio em Trieste, voo para Belgrado e transporte até as áreas dominadas por atiradores ao redor de Sarajevo.

 

O caso ganhou força depois que o escritor italiano Ezio Gavazzeni, impactado pelo documentário Sarajevo Safari (2022), decidiu investigar o tema com apoio dos advogados Nicola Brigida e Guido Salvini. Os indícios reunidos — testemunhos, documentos e relatos de inteligência — foram considerados “sérios e fundados” pela promotoria italiana, que abriu formalmente o inquérito sob responsabilidade do promotor Alessandro Gobbi. Na Bósnia e Herzegovina, uma investigação inicial havia sido aberta em 2022 após denúncia da ex-prefeita Benjamina Kari?, mas teria perdido ritmo nos últimos anos.

 

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Se confirmadas, as acusações podem configurar homicídio voluntário com agravantes de crueldade e motivos torpes, crimes que, no ordenamento jurídico italiano, não prescrevem. A apuração abriria ainda um precedente significativo de responsabilização internacional, permitindo que um país persiga criminalmente seus cidadãos por crimes cometidos durante um conflito em território estrangeiro.

 

Além das implicações legais, o caso lança luz sobre uma face extrema do chamado “turismo de guerra”, expondo como alguns indivíduos podem ter transformado a violência e a impunidade em forma de entretenimento. Para as vítimas e sobreviventes do cerco, a investigação representa a possibilidade de resgatar memória, exigir reparações e enfrentar um passado marcado por brutalidade.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Os próximos passos envolvem a oitiva de testemunhas-chave — incluindo o ex-agente bósnio, sobreviventes do cerco e militares da antiga Army of Republika Srpska — além da análise de arquivos de serviços de inteligência italianos, como o então SISMI, que supostamente teria recebido alertas em 1993. Também será necessária a verificação de registros logísticos, possíveis contratos de “turismo de guerra” e pagamentos internacionais que sustentem as denúncias.

 
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Embora ainda em fase inicial, a investigação italiana aponta para uma revisão profunda de como entendemos os conflitos da década de 1990. Mais do que crimes cometidos por combatentes regulares, emerge a hipótese perturbadora de que terceiros estrangeiros possam ter participado diretamente da violência, motivados por lucro ou diversão. É um alerta para o presente: práticas semelhantes podem persistir sob novas formas, mascaradas pelo crescimento do turismo bélico e pelo consumo voyeurista da violência — fenômenos que desafiam a ética, o direito internacional e a própria noção de humanidade.
 

 

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