A licença para que a Petrobras explorasse o bloco FZA-M-59, nas águas da Foz do Amazonas, foi emitida pela agência reguladora IBAMA em 20 de outubro de 2025 ? apenas semanas antes de o Brasil sediar a COP30.
Durante a conferência COP30, realizada em Belém – PA, o cacique Raoni Metuktire, líder histórico do povo Kayapó, fez um pronunciamento contundente contra a autorização recentemente concedida à Petrobras para exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas (bloco FZA-M-59). Seu discurso repercute como forte manifestação indígena e crítica ao governo federal.
Contexto da autorização e da crítica
A licença para que a Petrobras explorasse o bloco FZA-M-59, nas águas da Foz do Amazonas, foi emitida pela agência reguladora IBAMA em 20 de outubro de 2025 — apenas semanas antes de o Brasil sediar a COP30. Entidades ambientais apontam que essa decisão colide com os objetivos da conferência, que têm entre as prioridades o fim da expansão dos combustíveis fósseis. Raoni fez referência direta a esse conflito entre retórica internacional e práticas domésticas: “Esses projetos destroem rios e terras … Vai ser muito ruim para nós. E para vocês também.”
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A fala de Raoni no evento
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No pronunciamento público durante a COP30, Raoni afirmou com firmeza: “Mais uma vez quero falar! Escutem com atenção: vamos nos unir! Não podemos permitir que essa perfuração aconteça. Temos de ser fortes e continuar lutando para que ela não seja feita.” Ele estava acompanhado por uma delegação de mais de 20 indígenas Kayapó, que vieram manifestar solidariedade à comunidade de Oiapoque (AP), diretamente impactada pela decisão da Petrobras.
Além disso, Raoni advertiu o governo brasileiro, dizendo que a expansão dos combustíveis fósseis em áreas sensíveis da Amazônia representa uma ameaça global: “Você que não é indígena talvez devesse ter escutado e pensado em seus filhos, em seus netos, para que a floresta possa viver e contribuir para as vidas de novas gerações.”
Impactos para povos indígenas e meio ambiente
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• A região da Foz do Amazonas abriga manguezais, recifes de coral, ecossistemas costeiros e comunidades tradicionais que dependem dos rios e mares para sobreviver.
• O licenciamento do bloco FZA-M-59 tem sido criticado por organizações da sociedade civil como “ato de sabotagem contra a COP30” e incompatível com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
• Para muitas lideranças indígenas, a concessão sinaliza que os direitos à consulta livre, prévia e informada (FPIC) não estão sendo plenamente respeitados.
A contradição apontada
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Fotos: Reprodução/Google
O discurso de Raoni destaca a aparente incoerência entre a postura oficial do governo brasileiro — que em fóruns internacionais defende a preservação da Amazônia — e sua aprovação de exploração de petróleo em território sensível. Ele e outros líderes afirmam que isso fragiliza não só a credibilidade do país, mas põe em risco a integridade dos povos originários e dos ecossistemas. A atuação de uma liderança indígena com visibilidade internacional – Raoni já se tornou símbolo global da luta amazônica. A COP30, sendo realizada no Brasil e com foco na Amazônia, torna o caso emblemático: ele eleva o debate para além do Brasil, atingindo compromissos internacionais de clima, biodiversidade e direitos indígenas.
Se a perfuração for realizada, abre precedentes para exploração em outras áreas vulneráveis da chamada “Margem Equatorial” brasileira, ampliando riscos ambientais e sociais. O discurso de Raoni Metuktire na COP30 é menos um pronunciamento técnico e mais uma convocação moral: para indígenas, a floresta e os rios são parte de sua vida e cultura. A licença concedida à Petrobras revela, segundo ele, um momento de inflexão — ou de ruptura — entre o discurso de proteção da Amazônia e os atos que a colocam sob nova ameaça.
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