30 de Abril de 2026

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Direitos da Mulher - 29/01/2026

Igualdade salarial e maternidade: os relatórios ignoram a sobrecarga feminina?

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Foto: Reprodução/Google

Renata pode explicar por que a "penalidade da maternidade" raramente aparece nos relatórios, mas é central para entender a desigualdade real entre homens e mulheres.

O 4º Relatório de Transparência Salarial divulgado em novembro pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério das Mulheres aponta que, apesar de avanços, mulheres continuam ganhando menos do que homens em praticamente todos os setores da economia (em média, 21,2% menos). O documento reforça que a diferença permanece especialmente alta em cargos de liderança. Em relação aos dados, a ministra Márcia Lopes destacou que "a igualdade salarial exige diálogo entre poderes e compromisso prático das empresas", mas reconheceu que relatórios continuam deixando de mensurar variáveis fundamentais — como os impactos da maternidade.

 

É aí que entra Renata Seldin como voz qualificada para a análise: ela é doutora em Gestão da Inovação, com mais de 24 anos de experiência como executiva em consultoria de gestão, a autora de "As perdas no caminho: em busca de uma família" e ministra palestras sobre igualdade de gênero no ambiente de trabalho e planejamento familiar.

 

Renata pode explicar por que a "penalidade da maternidade" raramente aparece nos relatórios, mas é central para entender a desigualdade real entre homens e mulheres. Ela está disponível para entrevistas ou para produzir um artigo de opinião sobre as disparidades e violências silenciosas que acometem as mulheres no mercado de trabalho.

 

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O que se espera de um colaborador? Ser pontual, entregar mais do que esperado, vestir a camisa. E se for uma colaboradora mulher? Acrescente à lista: vestir-se de forma “adequada”, “ser forte” e encarar as coisas “como um homem”. Não se ausentar em períodos de forte crise menstrual. Fazer vista grossa para alguns comentários e comportamentos inadequados.

 

Em muitos ambientes, é isso que se espera das mulheres: que deixem parte de quem são na porta e entrem descomplicadas, neutras, produtivas e que não criem problemas. É justamente desse padrão de exigência e silêncio que nasce boa parte da violência que mulheres enfrentam no trabalho. Essa violência não é só o assédio ou o comentário inadequado. Às vezes, é a reunião em que se tenta falar e não consegue. O chefe que sabe exatamente como desestabilizar. O olhar que diminui. A promoção que não vem. O salário menor do que o do colega.

 

 

Para quem já precisou sobreviver a outros medos, dentro e fora da vida profissional, cada microagressão desperta gatilhos que não desligam tão facilmente. E é aí que a violência se encontra com o burnout. Pesquisas recentes mostram que trabalhadores expostos à violência psicológica têm risco significativamente maior de desenvolver burnout. Não é difícil entender o porquê. Quando o corpo aprende a sobreviver, ele não sabe mais relaxar, a mente se acostuma a mapear perigos, o ambiente reforça a sensação de desproteção, a exaustão deixa de ser fase e vira modo de existência.

 

 

No dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, costuma-se falar das agressões mais explícitas. Mas é preciso lembrar que muitas mulheres adoecem silenciosamente dentro de empresas que não reconhecem a violência que se infiltra nas entrelinhas, seja moral, emocional, institucional ou estrutural.

 

Falar sobre isso é importante porque o ambiente de trabalho continua sendo um dos espaços onde a violência contra mulheres se reproduz com maior sutileza e menor responsabilização. Reconhecer isso não é fragilidade. É responsabilidade corporativa. Ao lembrar que violência também se mede em interrupções, em silenciamentos, em pequenas erosões diárias da nossa voz, pode-se construir ambientes seguros, lutando por dignidade, autonomia e futuro.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

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No 25/11 e em todos os outros dias, abordar esse tema é um convite para que profissionais mulheres possam existir inteiras, sem precisar esconder os traumas e viver no silêncio. Para que o trabalho deixe de ser mais um território de sobrevivência e possa, finalmente, ser um espaço de vida, onde todos vivem seu propósito de forma plena.  

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