De Luiza Brunet a Mel B, mulheres conhecidas que usaram a própria história de violência doméstica para criar livros, redes de apoio e campanhas em defesa de outras vítimas.
De diferentes formas e gerações, várias mulheres públicas têm transformado a dor da violência doméstica em propósitos que inspiram e fortalecem outras vítimas. Suas histórias mostram que o silêncio pode dar lugar à reconstrução e à coragem de falar em nome de quem ainda não consegue.
Em 2008, a atriz Luana Piovani, então com 31 anos, denunciou o ator Dado Dolabella por agressão em uma boate no Rio de Janeiro. O caso marcou a primeira aplicação da Lei Maria da Penha em uma figura pública. “O mundo é uma máquina de moer mulher”, disse Luana anos depois, ao relembrar o episódio. Hoje, aos 48, ela usa as redes sociais e a mídia para conscientizar sobre o machismo e a importância da denúncia, tornando-se uma das vozes mais consistentes da causa no Brasil.
Em 2016, a ex-modelo Luiza Brunet, aos 54 anos, revelou ter sido espancada pelo empresário Lírio Parisotto durante uma viagem a Nova York. As agressões lhe causaram fraturas nas costelas e resultaram em condenação judicial. “As marcas físicas desaparecem, mas as emocionais são as mais difíceis de curar”, declarou. Desde então, Luiza se tornou ativista reconhecida, participa de palestras e campanhas, e representa o Brasil em ações internacionais de combate à violência de gênero.
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Uma crítica social sobre o apagamento das mulheres
A apresentadora Ana Hickmann, 43 anos, denunciou em 2023 o marido, Alexandre Correa, por agressão dentro de casa, na frente do filho. A atitude gerou uma onda de solidariedade e reabriu o debate sobre relacionamentos abusivos em famílias aparentemente perfeitas. Poucos dias depois, Ana escreveu: “Obrigada pelas mensagens de carinho. Hoje é um novo dia.” Sua decisão de expor o caso deu visibilidade ao tema e reforçou que nenhuma mulher está imune à violência.
No ano seguinte, a empresária Ana Paula Oliveira, 50 anos, revelou ter vivido 30 anos em um casamento abusivo, com agressões físicas, psicológicas e sexuais. Ex-Miss Brasil e advogada, ela contou que foi mantida sob vigilância e ameaças constantes. “Sofri calada, mas decidi que minha história não terminaria assim”, disse. Livre do relacionamento, Ana Paula criou uma rede de apoio para acolher mulheres vítimas de violência, oferecendo orientação jurídica e psicológica.
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Fotos: Reprodução/Internet
Entre os exemplos internacionais, a cantora Mel B, 49 anos, ex-Spice Girl, revelou em sua autobiografia Brutally Honest os dez anos de abusos sofridos durante o casamento com o produtor Stephen Belafonte. Desde 2018, ela se tornou embaixadora de instituições britânicas que auxiliam vítimas de violência doméstica. A também britânica Lily Allen, 39 anos, relatou em seu livro My Thoughts Exactly episódios de abuso e relacionamentos tóxicos. Hoje, atua em campanhas e debates sobre saúde mental e violência psicológica.
Para o terapeuta Eduardo Omeltech, que acompanha casos de reconstrução emocional pós-violência, histórias como essas cumprem um papel essencial. “Quando a vítima fala, ela não revive o trauma, ela o ressignifica. É nesse momento que a dor se transforma em consciência coletiva e em força para outras mulheres”, explica. Segundo ele, o exemplo dessas celebridades reforça o poder da fala pública na cura individual e na mudança social.
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