Crescendo em um contexto de escassez, Phiona chegou a abandonar a escola por falta de dinheiro para pagar as mensalidades.
Phiona Mutesi nasceu em 1996, em Katwe, uma das favelas mais pobres de Kampala, capital de Uganda. A sua infância foi marcada pela adversidade: aos três anos, perdeu o pai para a Aids, e pouco tempo depois, a irmã mais velha faleceu.
Crescendo em um contexto de escassez, Phiona chegou a abandonar a escola por falta de dinheiro para pagar as mensalidades. Quando tinha cerca de nove anos, ela e o irmão foram atraídos por um programa social liderado por Robert Katende, missionário e treinador, que oferecia mingau para crianças em troca de participarem de aulas de xadrez. ? Foi ali, no tabuleiro improvisado, que Phiona descobriu uma paixão — e uma porta para a transformação.
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O xadrez como rota de fuga
No começo, os primeiros tabuleiros eram feitos de linhas desenhadas na terra, e tampinhas de garrafa substituíam as peças. Mesmo assim, Phiona se destacou rapidamente: em pouco tempo, já superava o próprio Katende. Embora fosse difícil: ela acordava cedo para buscar água potável, enfrentava ruas alagadas na época das chuvas e vivia em moradias simples, muitas vezes deslocando-se dentro da favela. Phiona dizia que o xadrez refletia sua vida — cada movimento precisava ser bem pensado, porque um erro poderia custar caro.
Ascensão no xadrez competitivo
Em apenas alguns anos, Phiona começou a competir em torneios nacionais e internacionais. Em 2010, ela representou Uganda na Olimpíada de Xadrez, evento de prestígio que reúne equipes de todo o mundo. A partir do desempenho nesses torneios, a Federação Internacional de Xadrez (FIDE) concedeu a ela o título de Woman Candidate Master (WCM) — uma conquista histórica para uma jogadora de seu país. Além disso, ela venceu o Campeonato Nacional Júnior de Uganda, e se tornou a primeira mulher do país a conquistar importantes títulos no xadrez júnior.
Reconhecimento global: livro e filme

Fotos: Reprodução/Google
A trajetória de Phiona chamou a atenção internacional. O jornalista Tim Crothers escreveu o livro “The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess, and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grandmaster”, que inspirou o filme da Disney “Rainha de Katwe” (Queen of Katwe), dirigido por Mira Nair, com Lupita Nyong’o e David Oyelowo no elenco. A adaptação cinematográfica tornou sua história conhecida mundialmente e ressaltou a força do esporte como ferramenta de transformação.
Vida além dos tabuleiros
Mesmo com fama e reconhecimento, Phiona manteve um forte vínculo com suas origens. Segundo entrevistas, ela sonha em retornar e servir sua comunidade, especialmente crianças da favela. Sua jornada no xadrez também inspirou o crescimento de projetos sociais: o Sports Outreach Institute, fundado por Katende, passou a usar o xadrez para ensinar planejamento, estratégia e esperança a muitos jovens vulneráveis.
Sua história demonstra como iniciativas comunitárias podem dar oportunidades reais a jovens em contextos econômicos desafiadores. Ela quebrou barreiras, competindo e vencendo em um mundo dominado por homens — especialmente vindo de uma favela. Por meio do livro e do filme, sua vida se tornou exemplo para muitas pessoas ao redor do mundo. A academia de Katende continua ativa, usando o xadrez para empoderar crianças e adolescentes.
Fontes:
Chess.com (perfil de Phiona Mutesi)
The EastAfrican (reportagem)
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