Os números deixam claro que a violência ultrapassa os muros de casa e da escola, exigindo ações urgentes e coordenadas.
O Atlas da Violência 2024, divulgado na segunda-feira, 12, traz dados alarmantes sobre o aumento de ataques contra crianças e adolescentes no Brasil ao longo da última década, entre os anos de 2013 e 2023. O estudo, elaborado a partir de informações fornecidas pelo Ministério da Saúde, analisa registros de atendimentos relacionados a casos violentos e destaca a escalada da violência infantil, com foco na violência psicológica, muitas vezes invisível aos olhos, mas devastadora em suas consequências.
Os números deixam claro que a violência ultrapassa os muros de casa e da escola, exigindo ações urgentes e coordenadas. Para Ana Claudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, o problema está enraizado nos ambientes mais próximos das crianças: “A casa é violenta, o diálogo dentro de casa não acontece, a escola também não está sabendo lidar adequadamente com esses casos de violência, especialmente entre pares, e a gente tem internet que amplifica toda essa violência para um público infinito, e isso agrava ainda mais as questões de saúde mental dos adolescentes”.
O relatório também aponta o impacto das redes sociais como catalisadoras de sofrimento emocional, ao amplificar casos de bullying, exclusão social e exposição a conteúdos nocivos. A ausência de diálogo em casa, a precariedade nas abordagens pedagógicas sobre violência nas escolas e a falta de políticas públicas eficazes para a proteção da infância são fatores que se somam.
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O coordenador do estudo, Daniel Cerqueira, reforça que o caminho mais eficaz para combater a violência está no investimento na primeira infância. Ele defende uma ação firme e integrada entre Estado e sociedade civil, sobretudo em comunidades vulneráveis:

“A gente tem que entrar firme – a gente, o Estado, a sociedade – dentro desses lares, sobretudo lares mais vulneráveis do ponto de vista socioeconômico, com orientação, educação, condições para o desenvolvimento da primeira infância sadio.

São crianças que não sonham. As crianças que não sonham são as crianças que vão ser arregimentadas facilmente, são presas do crime organizado e desorganizado facilmente”.


Fotos: Reprodução/Google
A violência contra crianças e adolescentes exige uma resposta urgente baseada em dados, políticas públicas intersetoriais e engajamento comunitário. Especialistas indicam que o fortalecimento da rede de proteção – com foco em saúde mental, educação humanizada e combate à violência doméstica – deve ser prioridade nos três níveis de governo.
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