06 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 19/10/2024

As cidades brasileiras que há mais de 20 anos só elegem homens para prefeito, vice e vereador

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Foto: Reprodução/Google

Enquanto as mulheres são 52,4% do eleitorado, neste ano, elas representaram 15,4% das prefeitas eleitas e 18,2% das vereadoras.

Em Conceição do Pará, Minas Gerais, uma cidade cujo nome homenageia uma mulher, o poder político é exclusivo dos homens há mais de 40 anos. Nunca uma mulher foi eleita prefeita, e a última vez que mulheres ocuparam cadeiras na Câmara Municipal foi em 1980. O presidente da Câmara, Geraldo Luciano Campos, sugere que as mulheres da cidade ainda "não têm coragem" de se engajar politicamente.

 

Esse fenômeno não é isolado. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), outras nove cidades brasileiras não elegem mulheres para cargos de poder desde pelo menos o ano 2000. O estudo exclui mulheres que assumiram após se tornarem suplentes ou após cassações de chapas.

 

A pesquisadora Débora Thomé, da Fundação Getúlio Vargas e coautora do livro "Candidatas: Os Primeiros Passos das Mulheres na Política no Brasil", afirma que esses casos são reflexos de um problema muito maior: a baixa representatividade feminina no cenário político brasileiro. Embora representem 52,4% do eleitorado, as mulheres somaram apenas 15,4% das prefeitas eleitas e 18,2% das vereadoras no último pleito. Segundo Thomé, esse cenário persiste porque os partidos políticos não oferecem apoio adequado, tanto financeiro quanto de liderança, às candidaturas femininas.

 

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Cerimônia de posse dos vereadores, prefeito e vice-prefeito de Boa Vista (PB) em 2021. Cidade nunca

elegeu uma mulher para a administração pública (Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Boa Vista)

 

Ela ressalta que a experiência prévia em cargos públicos é crucial para a eleição. Com isso, a ausência de mulheres eleitas perpetua um ciclo vicioso, onde a representatividade feminina fica cada vez mais comprometida. "O maior preditor para alguém se eleger é já ter sido eleito antes", explica. E quando a maioria dos eleitos é composta por homens, a disparidade de gênero se agrava.

 

A legislação brasileira, há 26 anos, exige que partidos ou coligações garantam pelo menos 30% de candidaturas de cada gênero em eleições legislativas. No entanto, em agosto deste ano, foi aprovada a PEC da Anistia, que isenta partidos políticos de multas por não repassarem os fundos mínimos para candidaturas negras e outras irregularidades. Para críticos, essa medida também pode abrir margem para a anistia de casos em que os repasses destinados às candidaturas femininas não foram devidamente cumpridos.

 

Cidades como Boa Vista, Conceição do Pará, e outras espalhadas pelo Brasil, continuam a ser exemplos extremos de um problema que afeta o país inteiro. Desde fraudes nas cotas de gênero até a perpetuação de uma "tradição" que exclui mulheres do poder, essas localidades revelam uma cultura política profundamente enraizada, que marginaliza o papel feminino e reforça a dominância masculina nas estruturas de poder.

 

Embora algumas cidades tenham registrado um aumento no número de candidatas, como Conceição do Pará, onde 34% das candidaturas deste ano eram de mulheres, o resultado permanece o mesmo: nenhuma foi eleita. A resistência cultural, reforçada pela falta de apoio político, mantém as mulheres distantes dos cargos mais altos. Mesmo quando se candidataram em massa, como em Guaraciama ou Lagamar, as mulheres continuam sem sucesso nas urnas.

 

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Essa realidade é emblemática de um Brasil que, apesar de avanços pontuais, ainda falha em garantir a equidade de gênero na política. Até quando cidades inteiras continuarão a ser dominadas exclusivamente por homens, sem dar às mulheres a oportunidade de representar seu povo e influenciar as decisões que moldam suas comunidades?


Fonte: com informações do g1

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