Esse tipo de ausência não é inédito na diplomacia chinesa. Em setembro de 2023, Xi não compareceu ao G20 em Nova Déli, enviando o primeiro-ministro Li Qiang para representá-lo
O governo brasileiro recebeu indicações de que Xi Jinping pode não viajar ao Brasil para participar da cúpula presidencial do BRICS, que será presidida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos dias 6 e 7 de julho. Ainda não há declarações oficiais chinesas sobre essa decisão — tampouco sobre quem comandaria a delegação caso Xi ausente.
Esse tipo de ausência não é inédito na diplomacia chinesa. Em setembro de 2023, Xi não compareceu ao G20 em Nova Déli, enviando o primeiro-ministro Li Qiang para representá-lo — uma decisão confirmada pela porta-voz Mao Ning. Já em agosto de 2023, ele despediu-se de um fórum do BRICS na África do Sul, com o discurso repassado ao ministro do Comércio, sem justificar a ausência.
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Analistas apontam que essas ausências podem estar ligadas a:
• Tensões diplomáticas, especialmente com países como Índia ou pela presença em encontros definidos como “Ocidente-dominado”;
• Estratégia deliberada de projetar a importância de blocos como o BRICS, enfatizando uma diplomacia mais seletiva;
• Desconfiança do governo chinês acerca de questões domésticas ou saúde de Xi, embora não haja confirmação oficial de problemas nesse sentido.
Caso Xi decida não viajar ao Brasil, uma escolha provável seria o primeiro?ministro Li Qiang, figura que em 2023 chefiou a delegação chinesa no G20 em seu lugar. Outra opção plausível seria o envio do chanceler Wang Yi, que já participou de reuniões ministeriais do BRICS no Rio em abril de 2025. O vice?ministro Sun Weidong também é cotado, dada sua experiência diplomática, caso se opte por representar o país num nível técnico.
Impactos para o evento no Rio:

Fotos: Reprodução/Google
• Nível de representação: A presença ou ausência de Xi pode influenciar não apenas o peso simbólico do BRICS como bloco, mas também a agenda e acordos que podem ser firmados.
• Negociações bilaterais: Desembaraçar os acordos previstos, como os iniciados durante a visita de Xi a Brasília em novembro de 2024 — quando foram firmados cerca de 37 pactos em infraestrutura, agricultura, tecnologia e políticas culturais. Pode ficar mais difícil sem a presença do líder chinês.
• Relevância geopolítica: A ausência de Xi poderia ser interpretada como uma manobra para reafirmar o protagonismo de blocos alternativos e diversificar a presença chinesa em fóruns multilaterais.
A possível ausência de Xi não elimina a participação da China, mas altera a representatividade política no mais alto nível, com potenciais implicações para o peso diplomático do BRICS no contexto global. A delegação pode ser liderada por Li Qiang ou Wang Yi, mas a confirmação oficial ainda depende de um posicionamento de Pequim — que, até o momento, mantém silêncio sobre o assunto.
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