Estudo mostra custo bilionário da violência contra a mulher e aponta soluções já adotadas por outros países.
A violência contra a mulher no Brasil representa um custo bilionário ao país. Segundo a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), foram perdidos cerca de R$ 214 bilhões em dez anos, somando impactos na saúde, previdência, ausências no trabalho e queda na produtividade. Esse prejuízo equivale a mais de 1,2% do PIB nacional.
“A cada hospitalização, o SUS gasta. A cada afastamento, a economia encolhe. E a cada morte, o sistema previdenciário arca com pensões. É um prejuízo invisível que carregamos todos os anos”, afirma o advogado criminalista Davi Gebara.
Apesar de leis como a Maria da Penha (2006), apenas 15% das comarcas têm juizados especializados, e há pouco mais de 150 abrigos públicos em todo o país.
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“Não adianta ter uma das melhores leis do mundo no papel se falta estrutura para aplicar. O sistema empurra a mulher para o silêncio”, diz Gebara. Lá fora, países adotam soluções efetivas. Na Espanha, agressores usam tornozeleiras conectadas a dispositivos nas vítimas; em caso de aproximação, a polícia é acionada.
“Isso é tecnologia a serviço da vida. No Brasil, ainda dependemos da vítima denunciar o descumprimento”, afirma. Na França, há telefones de alerta direto para polícia e auxílio emergencial para mulheres saírem de casa com segurança. Nos EUA, a lei federal proíbe posse de armas por agressores com medida judicial.
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Fotos: Reprodução/Google
Países como Suécia e Noruega punem também a violência psicológica e oferecem centros de acolhimento com apoio social. Segundo o Instituto Europeu de Igualdade de Gênero, a violência de gênero custa €16 bilhões/ano à Espanha e £66 bilhões ao Reino Unido. O Banco Mundial estima que reduções de 10% na violência podem elevar o PIB em até 1,5%. O FMI alerta que altos índices de violência de gênero reduzem o crescimento econômico em até 9%.
No Brasil, a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (MS) é exemplo de integração de serviços, mas ainda está em poucas capitais. Para Gebara, proteger a mulher não é gasto. “Importar soluções não significa copiar modelos estrangeiros de forma cega, mas adaptar o que funciona. O que não dá é continuar empurrando esse problema com improviso. Custa vidas, custa dinheiro, custa futuro.”
Fonte: com informações ONU Mulheres
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